A Hinode, empresa de cosméticos que chegou a faturar R$ 2,7 bilhões em 2018 com uma rede de 850 mil consultores, encolheu para cerca de 650 mil revendedores e agora aposta em uma parceria com o cantor Gusttavo Lima para se reerguer. A companhia, que nasceu na garagem de uma casa em São Paulo e cresceu rapidamente usando o marketing multinível (modelo em que o vendedor ganha pela própria venda e por recrutar novos vendedores), enfrentou falta de produtos, perda de consultores e acusações de operar como pirâmide financeira. As informações são da Gazeta do Povo.
O marketing multinível é legal no Brasil, mas a diferença para uma pirâmide financeira (que é crime) está na origem do dinheiro: na venda direta legítima, o ganho vem de vender ao consumidor final; na pirâmide, vem principalmente de recrutar novos participantes. A Hinode foi investigada pelo Ministério Público de São Paulo e pela polícia de Barueri por suposto crime contra a economia popular, mas os inquéritos foram arquivados. A empresa sempre negou operar como pirâmide e seguiu funcionando normalmente.
O crescimento acelerado começou a cobrar seu preço em 2018. A receita caiu de R$ 2,7 bilhões para R$ 1,5 bilhão em 2019, uma perda de R$ 1,2 bilhão em um ano. A rede perdeu 200 mil consultores no período. Segundo a companhia, pesaram a crise econômica, a chegada de concorrentes, o corte de investimento em marketing e a própria reestruturação interna.
A empresa cortou pessoal, fechou cerca de 35 franquias e reduziu o catálogo pela metade, de quase mil itens para pouco mais de trezentos. Passou a ser auditada pela KPMG, transferiu o recrutamento de consultores para o ambiente virtual e profissionalizou a gestão, antes concentrada na família fundadora. Também voltou a mirar as classes de menor renda e reduziu preços.
Ex-consultores relataram nas redes sociais que as mudanças no plano de negócios reduziram os bônus dos líderes e que o custo para se manter ativo ficou alto demais. Muitos migraram para empresas concorrentes. Geraldo Rocha, que chegou a duplo diamante (um dos degraus mais altos da carreira), deixou a Hinode e foi para a Atlântica Natural, concorrente que passou a representar.
Em 2024, a Hinode fechou a primeira parceria para vender produtos de terceiros: a linha de fragrâncias GL, de Gusttavo Lima. Lançada em 2022 e produzida pela francesa Givaudan, a marca do sertanejo já vinha crescendo em ritmo forte. As vendas subiram 170% em 2023. A ideia é usar o alcance do cantor, com mais de 40 milhões de seguidores nas redes, para reconquistar um público mais jovem e reposicionar a imagem da marca.
Procurada pela Gazeta do Povo para comentar os pontos mencionados na reportagem, entre eles as críticas de ex-consultores e as questões sobre o modelo de negócio, a Hinode não respondeu até a publicação da matéria.
