Economia

Habib’s enfrenta crise com dívida de R$ 300 milhões

Ilustração sobre economia e finanças com a logo da Tribuna do Paraná no canto superior esquerdo. A imagem mostra moedas empilhadas, uma calculadora, cédulas de real, gráficos financeiros, indicadores de crescimento e um caderno com relatórios. Ao fundo, aparece um prédio institucional desfocado com a bandeira do Brasil, simbolizando decisões econômicas, mercado financeiro, impostos, programas governamentais e economia popular. Design clean, moderno e voltado para conteúdos de notícias econômicas.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA.

O Grupo Gênios, controlador das redes Habib’s e Ragazzo, obteve na Justiça de São Paulo uma suspensão de 60 dias para cobranças e execuções de dívidas que ultrapassam R$ 300 milhões. A medida foi concedida no início de julho pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais para que a empresa negocie com credores sem risco de bloqueio de bens. As informações são da Gazeta do Povo.

Em nota, o grupo reconhece a crise e afirma que ingressou com pedido de medida cautelar para negociar passivos acumulados nos últimos anos. A empresa garante que todas as lojas continuam funcionando normalmente e mantêm o padrão de qualidade no atendimento. A rede conta com mais de 17 mil colaboradores e atende cerca de 200 milhões de clientes por ano.

A pandemia reduziu o movimento nas lojas, enquanto a expansão dos aplicativos de entrega aumentou a concorrência e comprimiu as margens de lucro. A alta da inflação elevou os custos operacionais e dificultou a estratégia de preços baixos que sempre caracterizou a marca. Uma esfiha que custava R$ 0,99 há dez anos hoje é vendida a R$ 4,99.

Consumidores relatam queda na qualidade dos produtos

A arquiteta Estela Matheus de Arruda Botelho, de São Paulo, costumava fazer pedidos no Habib’s duas vezes por mês, mas reduziu a frequência. Ela relata falta de padrão nos produtos. Uma vez pediu lanche com peito de frango que veio tão torrado que era difícil até de cortar. A falta de previsibilidade fez a família optar por outras opções.

Cristina Souza, CEO da agência Tanjerin, especializada em foodservice, explica que a pandemia gerou um grande desafio com a profusão de pequenas empresas atuando no delivery. Para redes grandes como o Habib’s, com cozinha espaçosa e parques de diversão, a presença física do consumidor precisa se pagar. O aumento do endividamento das famílias, especialmente nas classes B, C e D, também prejudica a rede.

Fundador criou império após tragédia familiar

Alberto Saraiva fundou o Habib’s em 1988, após uma trajetória marcada por tragédia. Aos 20 anos, estudante de Medicina, precisou abandonar o curso quando o pai foi assassinado durante um assalto. Assumiu a padaria da família no Belenzinho, em São Paulo, que era o único sustento da mãe e dos dois irmãos mais novos.

A estratégia de vender ao preço mais baixo possível para ganhar escala e conhecer profundamente os processos de fabricação trouxe sucesso. Na década de 90, o Habib’s ditava regras para o mercado com relação à qualidade da operação. A empresa vem reagindo à crise atual com aposta em formatos menores, como quiosques e lojas express.

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