Economia

Habib’s consegue suspensão de dívida de R$ 300 milhões na Justiça

Ilustração sobre economia e finanças com a logo da Tribuna do Paraná no canto superior esquerdo. A imagem mostra moedas empilhadas, uma calculadora, cédulas de real, gráficos financeiros, indicadores de crescimento e um caderno com relatórios. Ao fundo, aparece um prédio institucional desfocado com a bandeira do Brasil, simbolizando decisões econômicas, mercado financeiro, impostos, programas governamentais e economia popular. Design clean, moderno e voltado para conteúdos de notícias econômicas.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA.

O Grupo Gênios, controlador das redes Habib’s e Ragazzo, conseguiu na Justiça de São Paulo a suspensão de cobranças de dívidas por 60 dias para renegociar um passivo que supera R$ 300 milhões. A decisão judicial busca evitar o bloqueio de bens enquanto a empresa tenta se recuperar dos impactos da pandemia, da inflação e das mudanças nos hábitos de consumo dos brasileiros. As informações são da Gazeta do Povo.

A crise é resultado de uma combinação de fatores que atingiram o modelo de negócios da marca. A pandemia reduziu drasticamente a circulação de pessoas nas lojas físicas, conhecidas por espaços amplos e áreas infantis. Ao mesmo tempo, o crescimento dos aplicativos de entrega trouxe concorrência feroz de pequenas empresas, comprimindo as margens de lucro.

A inflação elevou os custos de ingredientes e operação, tornando quase impossível manter a estratégia de preços baixos. Se há uma década uma esfiha custava menos de um real, hoje o valor subiu significativamente para cobrir os gastos, afastando parte do público que buscava o menor preço no mercado de alimentação rápida.

Consumidor endividado reduz gastos com alimentação fora de casa

O público das classes B, C e D, foco do Habib’s, está mais endividado e cauteloso. Com cerca de 80% das famílias brasileiras enfrentando dívidas, o consumo de alimentação fora do lar tornou-se um dos primeiros itens cortados no orçamento doméstico.

A rede também sofre críticas quanto à falta de padronização e queda na qualidade dos produtos. Relatos de consumidores indicam que a experiência nas lojas se tornou imprevisível, com variações no preparo de lanches clássicos, como o Beirute. Essa perda de confiança no padrão de qualidade afasta clientes fiéis, agravando a queda no faturamento mensal do grupo.

Fundador reconhece falhas na gestão de despesas

O fundador da rede, Alberto Saraiva, reconheceu que a gestão das despesas não recebia a atenção necessária antes da crise. Ele admitiu que era solto com os gastos, delegando essa responsabilidade totalmente ao setor financeiro sem um controle rigoroso sobre a eficiência operacional.

Com a necessidade de sobrevivência, o grupo passou a enxergar cada item de despesa como prioridade máxima, buscando eliminar o que Saraiva chama de excesso de gordura no negócio. O foco total agora é na austeridade e na readequação da estrutura para que a operação volte a ser rentável.

A principal estratégia atual é a migração para formatos de lojas menores e mais eficientes, como quiosques e unidades no modelo express. Esses modelos exigem menos investimento inicial, têm custos fixos reduzidos e se adaptam melhor à realidade do delivery e do consumo rápido em locais de grande circulação.

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