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Economia

Guerra não pressiona, mas dívida aumentou

  • Por Redação O Estado Do Paraná

Brasília (AE) – O mercado financeiro vem apostando na queda das taxas de juros no País, o que tem favorecido a venda de títulos prefixados pelo Tesouro Nacional. Depois da crise de confiança vivida no ano passado, a colocação de títulos públicos em geral voltou a se normalizar, influenciada principalmente pelo aumento das aplicações nos fundos de investimento. Em fevereiro, a dívida pública em títulos que estavam em poder do mercado era de R$ 644,9 bilhões, 1,26% maior do que a do mês anterior. Esse crescimento foi motivado pela desvalorização do real e o aumento dos juros.

“A guerra não gerou nenhuma reação pesada no mercado de juros. O cenário doméstico está emitindo bons sinais”, afirmou Sérgio Goldenstein, chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto do Banco Central (Demab). “Os mercados não estão precificando a continuidade do aperto monetário”, completou.

Segundo o coordenador geral de Administração da Dívida Pública, Paulo Valle, até o final do ano, a participação dos papéis prefixados deverá subir para, no mínimo, 5% do total da dívida. Esse é o piso estabelecido no plano de financiamento da dívida deste ano. O governo também tem conseguido aumentar o prazo de duração dos seus papéis. Os dados do Tesouro mostram que o volume de títulos públicos com vencimento no curto prazo (até 12 meses) caiu de 40,24%, em janeiro, para 39,41%, em fevereiro.

A dívida de curto prazo é um dos principais indicadores observados pelos investidores internacionais. No ano passado, a dívida com vencimento em 12 meses sofreu um drástico aumento, depois que o governo, por causa da crise de confiança na economia brasileira, foi obrigado a encurtar o prazo dos papéis e a recomprar títulos com vencimentos de longo prazo. Em março de 2002, o volume da títulos a vencer em 12 meses era de 23 62%.

Em fevereiro, o prazo médio do estoque da dívida chegou a 32,27 meses, mantendo-se praticamente estável em relação a janeiro, quando estava em 32,43 meses.

No final do ano passado, marcado por saques expressivos dos aplicadores, a indústria de fundos de investimentos detinha R$ 183 bilhões em títulos públicos. Desde janeiro até o início deste mês, esse estoque subiu para R$ 203 bilhões, embalado pelo crescimento dos depósitos. A procura dos fundos por esses papéis ajuda o governo a administrar a sua dívida. O Tesouro Nacional pode renovar os títulos que estão vencendo em vez de resgatá-los como vinha fazendo.

Em fevereiro, o Tesouro Nacional vendeu R$ 25 bilhões em títulos e resgatou outros R$ 25,7 bilhões. Além disso, o Banco Central resgatou mais R$ 4,1 bilhões de títulos próprios que estavam vencendo. Essas operações contribuíram para reduzir o estoque da dívida no mês passado.

No entanto, como há a incorporação de juros e o impacto da desvalorização do câmbio no período, o resultado final foi um crescimento de R$ 8 bilhões. Em fevereiro, o real se desvalorizou 1,06% em relação ao dólar enquanto os juros domésticos estavam em alta.

Isso afeta diretamente a parcela da dívida atrelada ao câmbio, que corresponde a 36,73% (R$ 236,85 bilhões), e os títulos pós-fixados, cuja rentabilidade varia de acordo com os juros do mercado. Esse papéis representam 46,53% do total da dívida mobiliária, cerca de R$ 300 bilhões. Por isso mesmo, o governo vem tentando reduzir a participação desses títulos e substituí-los por papéis prefixados que, em fevereiro, somavam apenas 1,98% da dívida (R$ 12,8 bilhões).

Prefixados

Na última semana de fevereiro, o Tesouro retomou a venda de prefixados depois de quase um ano sem demanda para esses títulos. De lá para cá, o governo vem conseguindo vender integralmente os lotes semanais ofertados ao mercado.

Como a remuneração desses papéis é previamente decidida, a expectativa era de que a adoção de um viés de alta dos juros pelo Copom, combinada com os desdobramentos da guerra, adiassem os planos do governo de aumentar a oferta desses títulos. No entanto, hoje o Tesouro Nacional conseguiu vender R$ 660 milhões em títulos prefixados (LTN?s) com prazo de vencimento em outubro e custo bastante semelhante ao verificado no leilão da semana passada.

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