A greve dos servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que já dura 13 dias, não afetou a coleta dos preços para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio, nem deve atrapalhar a captação dos dados ao longo do mês de junho, afirmou a coordenadora de Índice de Preços do órgão, Eulina Nunes dos Santos.

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“Não teve efeito da greve na coleta de preços”, garantiu. “Agora, estamos no mesmo esquema. Não temos notícias de que (a greve) possa atrapalhar.” Segundo a coordenadora, parte dos cerca de 300 funcionários da Coordenação de Índices de Preços aderiu à paralisação, mas quem ficou fora está suprindo o trabalho. “Foi um trabalho maior, mas importante para integralizar a coleta”, disse.

Os servidores do IBGE deflagraram a greve em 26 de maio, reivindicando a saída imediata da presidente do instituto, Wasmália Bivar, e de todos os membros do Conselho Diretor, além de realização de concurso público para preenchimento de mais de quatro mil vagas e valorização salarial.

De acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatísticas (ASSIBGE-SN), 24 das 32 unidades do órgão apoiam a paralisação – cerca de 70% dos 5,7 mil funcionários.

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Impactos

Na terça-feira. 03, o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, não descartou possíveis impactos da greve nas próximas divulgações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), caso a coleta seja afetada.

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Além disso, a greve interrompeu os estudos sobre o indicador de renda domiciliar per capita da Pnad Contínua, que visavam a adequar os dados à lei complementar que o coloca como base para o rateio do Fundo de Participação dos Estados (FPE). O indicador precisa estar pronto em janeiro de 2015.

A urgência levou a direção do instituto a anunciar em abril a suspensão das divulgações da Pnad Contínua neste ano, para concentrar esforços nos estudos. A decisão mergulhou o IBGE numa crise institucional. Após embate com o corpo técnico, a direção voltou atrás e manteve o calendário original da pesquisa.

Na quarta-feira, 4, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liminar determinando que pelo menos 70% do efetivo do IBGE continue trabalhando no período da greve. Caso não cumpra a medida, o ASSIBGE será multado em R$ 100 mil por dia. O sindicado informou que vai recorrer da decisão.