Não houve acordo entre representantes da montadora Volkswagen-Audi, em São José dos Pinhais, e os metalúrgicos, na audiência conciliatória realizada ontem no Tribunal Regional do Trabalho, em Curitiba. Com isso, a greve dos funcionários da montadora vai para o terceiro dia. Uma nova audiência foi marcada para hoje, às 16h. Caso não haja acordo, mais uma vez, o TRT deverá marcar julgamento para dissídio coletivo – fato que não ocorre desde a última greve na montadora, em 2000. Com a paralisação, cerca de 450 veículos estão deixando de ser produzidos, por dia, entre Fox, Golf e Audi A3.

A paralisação dos metalúrgicos começou na segunda-feira, após assembléia da categoria realizada no portão da montadora. Ontem, uma nova assembléia foi realizada, com o portão principal da fábrica aberto. Nenhum funcionário quis entrar. Cerca de 2.500 trabalhadores deflagraram greve, por tempo indeterminado.

Os trabalhadores querem receber R$ 3.200,00 de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), e a direção oferece R$ 2.700,00, vinculados à manutenção do banco de horas nas empresas. Os trabalhadores querem acabar com o banco de horas e não aceitam a vinculação das duas discussões. Além disso, os sindicalistas querem a redução da jornada de trabalho, de 42 para 40 horas semanais, como ocorre em outras indústrias automotivas no Paraná.

Já a montadora alega que “a proposta da empresa, de participação nos resultados no valor R$ 2.700,00 para 100% das metas, é 17% superior ao pago no ano passado e contém um ganho real de 7%”. (Lyrian Saiki)

Servidores analisam paralisação

Servidores públicos federais estão definindo, gradualmente, se aderem ao protesto nacional do funcionalismo por melhores salários. No Paraná, os servidores do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) estão em greve desde segunda-feira. De acordo com a presidente do sindicato, Anaci Pavan, a greve conta com quase 100% de adesão. No Estado, há cerca de 120 servidores do Incra na ativa. Já os servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) decidem hoje, em assembléia, se irão aderir à greve. Em Curitiba, há 98 servidores do IBGE. Quanto aos servidores técnico-administrativos da UFPR (Sinditest), a informação é de que devem aguardar a reunião do governo com representantes das universidades federais para decidir sobre a paralisação.

Amanhã os auditores fiscais da Receita Federal realizam assembléia para decidir pela manutenção, ou não, da greve. Os auditores estão parados desde o dia 13 de abril. No Paraná, há cerca de 500 auditores fiscais da Receita na ativa. Os servidores públicos federais querem um reajuste salarial imediato de 50,19%, a incorporação das Gratificações de Produtividade e de Atividade do Executivo e paridade de salários entre ativos, inativos e pensionistas.