A greve dos funcionários do Banco Central, iniciada ontem, pode causar o desabastecimento de cédulas no mercado já na próxima segunda-feira, segundo o presidente regional do Sindicato Nacional dos Servidores do Banco Central, Sérgio Del Fito. A paralisação, por enquanto, não afeta diretamente a população, pois os recursos em circulação são suficientes para atender ao mercado até, pelo menos, a próxima segunda-feira.

?A área de distribuição de recursos à população, via bancos e caixas eletrônicos, está totalmente paralisada e só deverá voltar à normalidade na segunda-feira, caso não se decida pela greve por tempo indeterminado. O atendimento ao público só está sendo feito emergencialmente e ainda assim para as pessoas que vieram de outras regionais para serem atendidas no estado?, afirma Del Fito, referindo-se ao Rio de Janeiro.

A principal reivindicação da categoria é a abertura de negociações com o governo, o que já vem sendo tentado desde o início do ano. ?Há necessidade de acerto em alguns itens do Plano de Cargos, que já vem desde 2003. Já estamos indo para 2006 sem qualquer perspectiva de aumento em 2005. É preciso que o governo – que retirou da categoria o direito ao reajuste linear de salários desde o ano passado – abra um canal de negociação para tratar dessa reposição?, disse o dirigente sindical.

O movimento é, segundo ele, também para alertar a sociedade sobre o estado de sucateamento por que está passando o Banco Central. ?Estão desativando a Central de Atendimento – que dá informações aos consumidores de serviço bancário. E a área de Meio Circulante tem problemas sérios de segurança por falta de verba – haja vista o assalto ao Banco Central em Fortaleza, de onde os ladrões levaram mais de R$ 160 milhões, no maior assalto já efetuado no País.

A greve deve terminar hoje, mas poderá ser estendida por tempo indeterminado, caso o governo não aceite abrir um canal de negociações. A possibilidade será discutida hoje, em assembléias realizadas em todo o País