Os 476 funcionários da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e da Indústria Nacional de Laminados (Inal) – empresa que presta serviços terceirizados dentro da CSN -, que atuam na unidade de Araucária, resistem à determinação judicial e entram hoje no 20.º dia de greve. Segundo o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos, Clementino Tomáz Vieira, a empresa não fez até agora uma única proposta para que os trabalhadores voltem a trabalhar. A categoria pede autonomia da unidade de Araucária e equiparação dos benefícios.

?Em momento algum, os trabalhadores de Araucária pediram algo de absurdo. Eles só querem receber os benefícios que os trabalhadores do Rio de Janeiro (unidade de Volta Redonda) recebem?, afirmou Vieira. Entre as reivindicações estão a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais – já em vigor na unidade de Volta Redonda; adicional noturno de 40% (como é no RJ) e não de 20%; pagamento imediato de R$ 1 mil como adiantamento da Participação de Lucros e Resultados (PLR). ?No Rio de Janeiro, já anteciparam, e aqui nada?, apontou Vieira. Segundo ele, há distorções também na questão salarial: enquanto um técnico industrial recebe R$ 4 mil em Volta Redonda, em Araucária o salário é de R$ 1,4 mil. O piso salarial, segundo Vieira, também é diferente: um ajudante inicial recebe R$ 720 no Rio de Janeiro e R$ 560 no Paraná.

TRT-PR

Na última sexta-feira, a juiza Ana Carolina Zaina, do TRT-PR, determinou o retorno imediato dos empregados, sob pena de multa diária de R$ 5 mil por dia, caso a decisão seja descumprida. Na segunda-feira, o Sindicato dos Metalúrgicos entrou com pedido de reconsideração no TRT-PR, para que a Justiça ouça também o lado dos trabalhadores. A juíza deve analisar o pedido apenas hoje, segundo informou a assessoria de imprensa do TRT-PR. A CSN foi procurada pela reportagem, mas ninguém falou a respeito.