O ministro de Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, disse na segunda-feira que ele apresentará na próxima semana ao Eurogrupo um pacote de seis reformas, na esperança de que isso abrirá caminho para liberação de capital de credores, o que ajudaria a satisfazer as necessidades de financiamento do país até o final de abril.

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Falando em um talk show, Star TV, da Grécia, Varoufakis disse que discutirá com seus pares reformas “que serão detalhadas e totalmente precificadas” em 9 de março em Bruxelas.

“Esperamos que dois ou três destas reformas possam ser aplicadas em breve”, disse ele, acrescentando que, nesse caso, os credores podem liberar alguns fundos, a fim de evitar um problema de crédito no país. “Temos a certeza de que as obrigações de março, especialmente para o FMI (Fundo Monetário Internacional) serão pagas integralmente”.

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse ao Financial Times na segunda-feira que se a Grécia quiser obter capital junto dos seus credores antes de maio, o país terá de acelerar a implementação das suas promessas antes do final de abril.

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Questionado sobre as declarações feitas pelo ministro das Finanças espanhol, Luis de Guindos, de que a União Europeia está atualmente discutindo um terceiro empréstimo para a Grécia, de 30 bilhões a 50 bilhões de euros, Varoufakis disse que “primeiro temos de reestruturar nossa dívida, antes de discutir um novo empréstimo”.

“Devemos levar em conta o que aconteceu com a General Motors nos EUA. Todo mundo achava que a empresa estava perdida. Mas ela reestruturou 90% de sua dívida e, em seguida, conseguiu um novo empréstimo”, disse ele, acrescentando que estava otimista de que os credores da Grécia aceitariam outro acordo da dívida.

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Perguntado sobre um possível cenário Grexit, isto é, a saída grega da zona do euro, Varoufakis respondeu que “seria catastrófico para a Grécia”.

O ministro das Finanças insistiu que o governo liderado pelo Syriza concordou em prorrogar o atual acordo de empréstimo por quatro meses, sem as suas cláusulas de austeridade presentes no programa de resgate e que o Memorando de Entendimento assinado pelo governo anterior não é mais válido.

Na segunda-feira, uma fonte do governo grego disse à agência de notícias Market News International que as necessidades de financiamento geral da Grécia deste mês chegam a quase 6 bilhões de euros e provavelmente exigirão permissão de credores para o governo aumentar a venda de notas do Tesouro.

A fonte observou que a Grécia enfrenta uma escassez de receitas e acrescentou que “espera” que os pagamentos de última hora do imposto sobre imóveis em fevereiro poderiam ajudar a aliviar o déficit de financiamento grego.

“As necessidades totais, que incluem o pagamento da dívida, a quitação de salários e pensões de funcionários públicos, além de outras obrigações estatais, podem chegar a mais de 5,8 bilhões de euros”, disse. “No entanto, tenho a esperança de que nós não devemos enfrentar problemas no final”, acrescentou, salientando que, em 9 de março, na reunião do Eurogrupo, a Grécia “vai pedir a elevação do teto das emissões do tesouro”.

“Estamos ponderando pedir a elevação do teto para cerca de 2 bilhões de euros, para ajudar no bom funcionamento do Estado”, afirmou a fonte.

Inicialmente, o governo grego indicava desde semana passada que gostaria de elevar o teto dos próximos leilão de T-bills para algo entre 8 e 10 bilhões de euros. Porém, diante de indicações claras de que os credores iriam rejeitar o pedido, o governo recuou da proposta.

Na quarta-feira, a Grécia irá leiloar 875 milhões de euros em T-bills. Na quinta-feira, o país deve pagar uma parcela de 299 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) referente a um empréstimo ao país. Na sexta-feira, ocorre o vencimento de 1,2 bilhão de euros em T-bills. Em 13 de março, a Grécia também deverá reembolsar 366 milhões de euros ao FMI, seguido de um pagamento de 560 milhões de euros em 16 de março e 366 milhões de euros em 20 de março.

O Banco Central Europeu (BCE) também irá debater em seu encontro nesta quinta-feira se irá renovar a Assistência Emergencial de Liquidez (ELA, na sigla em inglês) aos bancos gregos.

Na reunião do BCE, o governo grego também tentará derrubar o proibição de uso dos bônus do país como garantia em operações de crédito com a zona do euro. A medida está em vigor desde 4 de fevereiro.

No entanto, o presidente do BCE, Mario Draghi, já indicou que a implementação dos compromissos gregos, acordados na semana passada, são um pré-requisito para a derrubada da proibição. Como o país tem até o final de abril para apresentar resultado das medidas, a flexibilização nesta quinta-feira seria improvável. Fonte: Market News International.