Depois de registrar a inflação mais alta do País em setembro (0,86%), a Grande Curitiba caiu para terceiro lugar no ranking em outubro, com variação de 0,53% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – acima da média nacional (0,43%). Mesmo assim, a região ainda ostenta a taxa mais alta do País no acumulado do ano – 6,35% contra 5,43% no Brasil – e nos últimos doze meses – 8,14% ante 6,97%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (11) pelo IBGE.

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O resultado da Região Metropolitana de Curitiba no mês passado foi influenciado principalmente pela elevação de preços nos grupos Transportes (1,11%) e Alimentação e Bebidas (1%), justamente os de maior peso no orçamento doméstico: 21,95% e 21,32%, respectivamente. “O grande diferencial da inflação de Curitiba em relação à do Brasil foi a alimentação no domicílio, que continua aumentando por causa da entressafra, e o transporte, muito puxado pela questão do combustível”, constata o economista Sandro Silva, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Paraná (Dieese-PR).

Vários gêneros alimentícios presentes no dia a dia da mesa do curitibano tiveram aumentos acima da média nacional, como: arroz (0,90%), feijão (1,89%), carnes (1,91%), farinha de trigo (4,44%), pão francês (1,85%), açúcar (2,88%), batata (6,87%), tomate (4,14%), óleo de soja (3,58%) e café (4,05%).

No grupo Transportes, pesaram as majorações de 2,46% no valor do etanol e de 0,45% na gasolina, enquanto no País o álcool combustível baixou 0,36% e o derivado de petróleo subiu só 0,17%.

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Campeã dos preços altos

No acumulado do ano, são os dois grupos que pressionam o IPCA da capital paranaense: Alimentação, com reajuste de 6,73%, e Transportes, com incremento de 7,60%. “Apesar de ser o segundo maior produtor de cana, o Paraná é o estado em que mais sobe o etanol: 19,67%, contra 13,44% no País”, cita Silva. A gasolina encareceu 7,92%, enquanto nacionalmente aumentou 6,87%. “Além disso, o transporte público teve reajuste, no dia 5 de março, após dois anos sem aumento”, ressalta o economista.

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Segundo ele, outro item que impactou na inflação da Grande Curitiba em 2011 foi a elevação de 16% na tarifa de água e esgoto da Sanepar, “que o governo Requião segurou e o atual corrigiu logo no início”.

“A expectativa é que os alimentos continuem pressionando a inflação, em função da entressafra e porque existe um movimento especulativo todo final de ano, em que alguns produtos, como as carnes, aumentam em função das festas e da ampliação da renda gerada pelo décimo terceiro”, comenta Silva.

Porém, mesmo com a projeção do mercado de IPCA ligeiramente superior ao de outubro neste mês, o economista salienta que o acumulado em doze meses deve baixar, já que o pico de inflação foi registrado entre outubro de 2010 e abril deste ano. “A expectativa é fechar o ano muito próximo ou até abaixo da meta estabelecida pelo Banco Central”, aponta. A meta da inflação é de 4,5%, com variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. O mercado estima que o IPCA fique em 6,52%.