Economia

GPA registra prejuízo de R$ 731 milhões no terceiro trimestre

Imagem mostra moedas e uma nota de R$ 2 em cima de uma mesa.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Pixabay / Luis Wilker.

O Grupo Pão de Açúcar divulgou prejuízo de R$ 731 milhões no terceiro trimestre de 2026, período em que a rede avança na execução de um plano de recuperação extrajudicial para renegociar passivos inicialmente calculados em R$ 4,5 bilhões. Do resultado negativo, R$ 511 milhões referem-se a operações descontinuadas. As informações são da Gazeta do Povo.

A dívida líquida da companhia subiu 28,7% em 12 meses, passando de R$ 2,94 bilhões para R$ 3,78 bilhões, conforme ajustes apresentados no relatório. O plano de reestruturação foi homologado em outubro, mas os efeitos contábeis da renegociação devem ser reconhecidos apenas em dezembro de 2026. Simulações indicam que o endividamento líquido pode cair para cerca de R$ 1,2 bilhão após a conclusão do processo.

Margens sobem enquanto vendas recuam

A margem do Ebitda avançou de 8,6% para 11,7% desde o início de 2025, alta de 3,1 pontos percentuais que representa crescimento de 36%. O avanço ocorre em paralelo a um programa de corte de despesas que gerou economia acumulada de R$ 365 milhões nos nove primeiros meses de 2026, com fechamento de canais menos rentáveis, revisão de contratos e redução de investimentos.

Por outro lado, as vendas em lojas comparáveis desaceleraram de forma progressiva: o crescimento de 7,3% registrado no primeiro trimestre de 2025 transformou-se em queda de 1,4% no terceiro trimestre de 2026.

Contexto da recuperação extrajudicial

Ao protocolar o pedido, o GPA atribuiu a situação à manutenção da taxa Selic em 15% entre junho de 2025 e março de 2026, o que elevou o custo da dívida e pressionou o consumo. A empresa também citou acúmulo de R$ 2,1 bilhões em despesas em 2026 e mencionou disputa com as Casas Bahia, que venceu processo arbitral reconhecendo obrigação de aproximadamente R$ 170 milhões com prazo de pagamento fixado para 11 de março.

Na recuperação extrajudicial, a empresa negocia um plano com grupos específicos de credores e busca homologação judicial, permitindo reorganizar dívidas com intervenção mais limitada do que na recuperação judicial, que envolve processo coletivo mais amplo com nomeação de administrador judicial e suspensão inicial de execuções por 180 dias.

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