O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, disse nesta segunda-feira, 24, que o governo segue confiante na aprovação da reforma da Previdência, apesar de a votação do relatório na comissão especial na Câmara dos Deputados ter ficado para o dia 2 de maio, logo após dois protestos contra a proposta. O ministro também defendeu regras mais duras para que servidores públicos possam acessar as chamadas integralidade (aposentadoria com maior salário da carreira) e paridade (reajuste igual ao de servidores da ativa), apesar da pressão de diversas categorias contra essa ideia.

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“Estamos confiantes de que as reformas serão aprovadas no Congresso Nacional, porque são reformas que efetivamente contribuem para retirar o País da recessão econômica e nos colocar na rota de crescimento. Isso é um questão que o Congresso tem o seu tempo, tem de amadurecer as decisões a respeito das reformas, mas o governo continua muito confiante a respeito (da aprovação)”, disse Oliveira em entrevista à imprensa no período da manhã desta segunda-feira.

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Segundo ele, as reformas, da Previdência e trabalhista, têm sido tratadas de forma “inteligente” pelo núcleo de articulação política do governo, mas é preciso aguardar andamento das negociações. O ministro refutou o temor de que a proximidade dos protestos contamine a votação da reforma da Previdência na comissão especial.

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Dyogo Oliveira também defendeu a manutenção da proposta que prevê a concessão de integralidade e paridade para servidores que ingressaram antes de 2003 apenas se a aposentadoria for a partir dos 62 anos para mulheres e 65 anos para homens. A proposta consta no relatório do deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), mas enfrenta forte resistência de categorias com poder de pressão, como magistrados e auditores fiscais. O relator ainda deve analisar uma alternativa mais suave, como mostrou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

“Particularmente penso que a proposta que previa a integralidade e paridade apenas com 62/65 anos é bastante razoável e acho que o adequado seria manter a proposta presente no relatório. Isso já me parece bastante razoável e tem o critério de justiça que temos defendido muito, que é permitir que haja menor nível possível de distorção entre condições do setor público e do setor privado. Esse é princípio importante que temos defendido na reforma. Quanto mais pudermos nos ater a ele, melhor”, afirmou o ministro.

Trabalhista

Oliveira disse ainda que o governo está analisando os detalhes do relatório da reforma trabalhista, apresentado pelo deputado Rogério Marinho (PSDB-RN). Segundo o ministro, o governo está atento ao fato de que o parecer é “bastante mais amplo” do que a proposta original.

O texto abre brechas, por exemplo, para que haja contratações de funcionários terceirizados na modalidade Microempreendedor Individual (MEI), que paga uma alíquota favorecida à Previdência, de 5% sobre o salário mínimo. Um funcionário com carteira assinada paga de 8% a 11% sobre o salário bruto, até o teto do INSS (R$ 5.531,31).

“Assim que tivermos detalhamento vamos tomar providências cabíveis. O que é preciso ter é equilíbrio de tratamento nos diversos métodos de contratação”, disse o ministro. Segundo Oliveira, o ideal é que a contratação em determinada modalidade se dê por questões de gestão, não por incentivo tributário. “Temos de cuidar para que não haja incentivo a uma modalidade em detrimento das contas públicas”, afirmou.