O governo federal enviou ao Congresso Nacional o Orçamento de 2027 prevendo um superávit primário de R$ 18,6 bilhões, resultado que depende de projeções de crescimento econômico e arrecadação superiores às estimativas do mercado financeiro. O superávit primário ocorre quando as receitas superam as despesas, sem contar os juros da dívida. As informações são da Gazeta do Povo.
O projeto prevê resultado primário de R$ 83,4 bilhões após as deduções permitidas pelo arcabouço fiscal. A Instituição Fiscal Independente (IFI), porém, calcula déficit primário efetivo de R$ 86,1 bilhões para o governo central, uma diferença de R$ 104,8 bilhões em relação ao resultado previsto pelo Executivo.
PIB projetado pelo governo supera em 1 ponto percentual a previsão do mercado
O governo projeta crescimento do PIB de 2,5% em 2027, acima dos 2,3% previstos para este ano. O Boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (21), prevê alta de apenas 1,43% no próximo ano. O Bradesco projeta crescimento de 1%, citando o esfriamento do consumo das famílias e os juros elevados.
A projeção mais otimista para o PIB também aparece na estimativa de arrecadação. O governo prevê receita primária de cerca de R$ 3,46 trilhões em 2027, enquanto a IFI calcula R$ 3,40 trilhões, uma diferença de aproximadamente R$ 64 bilhões. O BTG Pactual também considera a receita superestimada e projeta arrecadação de R$ 3,44 trilhões.
Inflação e juros também divergem entre governo e analistas
O Executivo considerou um IPCA de 3,60% em 2027, enquanto o Boletim Focus prevê inflação de 4,30% no fim do ano. A XP estima 4,2%, com riscos de alta associados a tensões internacionais e incertezas fiscais. O Bradesco projeta 4,1%.
No campo monetário, governo e IFI trabalham com uma Selic de 12% ao ano no fim de 2027. A XP prevê 11,50%, enquanto Bradesco e Safra estimam 11%.
A IFI alerta que, se a frustração de receitas se confirmar, o governo precisará fazer um contingenciamento de R$ 35,7 bilhões em despesas discricionárias, gastos que não são obrigatórios e podem ser bloqueados pelo Executivo. O BTG Pactual antecipa que o governo terá de fazer ajustes em direção ao limite inferior da meta nas revisões bimestrais do Orçamento.
