Milho safrinha terá produção maior.

O governo estimou ontem que a produção de milho na safrinha deste ano será de 10,5 milhões de toneladas. A previsão supera a estimativa anterior, divulgada em junho, quando a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) previu colheita de 9,998 milhões de toneladas de milho na segunda safra. A nova previsão, sexta para o ano-safra 2003/04, foi divulgada pelo presidente da Conab, Luís Carlos Guedes Pinto. Apesar de o governo ter elevado a previsão, a colheita de milho safrinha nesta safra será menor do que a confirmada em 2003. No ano passado, os produtores colheram uma supersafra de milho safrinha, totalizando 12,797 milhões de toneladas.

Com os números da safrinha, a previsão é que a colheita de milho nas duas safras de 2003/04 será de 42 milhões de toneladas, informou a Conab. No ano-agrícola anterior, a Conab estimou colheita de 47,410 milhões de toneladas de milho nas duas safras. A redução é de 11,1%. “Os principais fatores responsáveis por essa redução foram a concorrência com a soja e a falta de chuvas, principalmente na região Sul do País”, afirmou. Ele descartou, no entanto, risco de desabastecimento.

A produção de 42,2 milhões de toneladas adicionadas ao estoque inicial de passagem de 6,6 milhões de toneladas possibilitou um suprimento de 48,9 milhões de toneladas. Considerando o consumo de 40,4 milhões de toneladas e exportações de 4,5 milhões de toneladas, o estoque final de passagem é de 4 milhões de toneladas.

O governo também revisou para cima os números para a safra 2003/04 de trigo. A produção está estimada em 6,073 milhões de toneladas. Em junho, a colheita de trigo foi estimada em 5,894 milhões de toneladas.

Na safra anterior, 2002/03, a produção de trigo foi de 5,851 milhões de toneladas. Guedes Pinto argumentou que a produção do cereal poderá sofrer alterações visto que as lavouras encontram-se nos estágios de enchimento de grãos. Houve um incremento de área de 10,7%, passando de 2,5 milhões para 2,7 milhões de hectares.

A nova estimativa da Conab para a safra 2003/04 indica produção de 119,3 milhões de toneladas de grãos e algodão. Em junho, a perspectiva era de colheita de 119,415 milhões de toneladas. Na safra 2002/03, a produção total foi de 123,168 milhões de toneladas. Clima adverso nas regiões produtoras e a ferrugem da soja fizeram a Conab reduzir suas projeções. Em outubro do ano passado, quando foi divulgada a primeira estimativa de intenção de plantio, a expectativa era de colheita no piso de 124,417 e no teto de 127,741 milhões de toneladas.

Meteorologista pede cautela

As condições meteorológicas previstas para a próxima safra de verão vão exigir dos agricultores muita cautela no plantio de suas lavouras. Todas as previsões levantadas pelos técnicos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que o clima deverá ser muito semelhante ao registrado durante a última safra de verão. O alerta é do chefe da unidade do Inmet em Curitiba, Luiz Renato Lazinski, encarregado de dar informações sobre o tempo no estande do órgão na Expointer, em Esteio (RS).

As condições climáticas ocorridas na safra 2002/2003 foram altamente favoráveis por influência do El Niño. Desde meados do ano passado, entretanto, o Brasil está vivendo uma situação que os meteorologistas chamam de neutralidade climática, isto é, não há influência nem do El Niño nem do La Niña. A situação deverá persistir durante a safra de verão. Com isso, as precipitações pluviométricas deverão ser bastante irregulares e mal distribuídas, devendo os produtores esperar períodos de veranico durante a safra de verão.

Lazinski fez um alerta especial sobre o baixo nível dos açudes, no Rio Grande do Sul, utilizados para a irrigação das lavouras de arroz e que estão 30% abaixo do que é considerado ideal para o plantio. O índice de precipitação esperado para a safra não deverá ser suficiente para encher os açudes. Nessas condições, ele considera que as lavouras de arroz, que dependem de açudes, poderão sofrer com a deficiência hídrica.

Lazinski recomenda que os produtores procurem fazer um escalonamento do cultivo para a próxima safra de verão, evitando plantar toda a área de uma só vez. “O ideal é que o plantio seja feito em três épocas diferentes. Antes de escalonar seu plantio, no entanto, os produtores precisam procurar a assistência técnica.” Luiz Renato Lazinski aconselha os agricultores a dar uma atenção cada vez maior às informações meteorológicas ao planejarem suas atividades.

No meio de notícias climáticas pouco estimulantes, uma boa notícia: o próximo verão deverá registrar temperaturas mais amenas, abaixo da média do período, o que poderá beneficiar a safra de milho.