Uma delegação de técnicos do Departamento de Comércio dos Estados Unidos está no Brasil discutindo medidas para facilitar o comércio entre os dois países. “Há espaço para bons avanços concretos, numa visão muito orientada a resultados”, disse à reportagem o secretário de Comércio Exterior, Abrão Neto, que coordena os entendimentos pelo lado do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Algumas das medidas discutidas nesses encontros poderão integrar a agenda de uma reunião de trabalho entre os presidentes do Brasil, Michel Temer, e dos Estados Unidos, Donald Trump, que deverá ocorrer ainda este ano.

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O comércio entre os dois países cresceu 18% este ano, segundo o secretário. Em 2016, o número de empresas brasileiras que exportou para os EUA cresceu 11,6% e, nos primeiros quatro meses deste ano, houve uma nova expansão, de 5,6%.

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Ele atribui esses resultados a um trabalho que as burocracias dos dois países desenvolvem desde 2006 para facilitar o comércio bilateral. A eliminação de travas aos negócios é o centro das relações comerciais, uma vez que não há, nem está em discussão, um acordo de livre comércio.

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Na atual rodada, por exemplo, os técnicos concordaram que, em seis meses, as exportações de produtos agropecuários serão autorizadas mediante a apresentação de certificados fitossanitários digitais, e não mais em papel como é hoje. “Isso vai beneficiar um comércio que chega a US$ 4 bilhões”, disse Abrão. Os principais produtos atendidos pela medida são: madeira, frutas, café e cacau. Já está em operação um projeto piloto desse documento. Ele deverá ser adotado para as exportações para os demais países.

Nesta quinta-feira, 11, técnicos dos dois países participam de um workshop em São Paulo para colocar em contato empresas interessadas em exportar para os EUA e os laboratórios e certificadoras que fazem uma análise prévia para verificar se os produtos estão em conformidade com as normas técnicas exigidas lá. Essa certificação é obrigatória e, até há pouco tempo, a única forma de obtê-la era enviar uma amostra do produto aos EUA. Agora já há estabelecimentos no Brasil habilitados a fazer esse trabalho, mas essa facilidade é pouco conhecida. O workshop será destinado também a micro e pequenas empresas apoiadas pelo Sebrae.

Brasil e Estados Unidos integram o acordo de facilitação de comércio anunciado este ano pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Uma das medidas previstas nele é a adoção de uma “janela única” para as transações comerciais. O Brasil lançou seu Portal Único do Exportador em março passado.

Por coincidência, a primeira exportação registrada nele foi para os EUA: uma venda de partes e peças da indústria aeronáutica. Os dois países atuam em conjunto para que outros parceiros comerciais adotem as normas da OMC.

A data do encontro entre Temer e Trump ainda não está marcada. O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, deverá ir em junho a Washington para reunir-se com o secretário de Estado, Rex Tillerson, e avançar nos preparativos. Além de comércio, a agenda deverá passar por outros temas, como por exemplo o uso da base de lançamento de Alcântara (MA) e a segurança na fronteira. Também estão na lista programas de cooperação nas áreas acadêmica e tecnológica.