Economia

Governo prepara auxílio de R$ 20 bilhões para clubes após veto às bets

Imagem mostra o Palácio do Planalto, em Brasília.
Imagem mostra o Palácio do Planalto, em Brasília. Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

O governo federal prepara uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões para clubes de futebol após a proibição das bets (empresas de apostas online). A medida foi tomada depois de reações negativas de clubes e torcedores à Medida Provisória 1.394, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nove dias antes do primeiro turno das eleições. O auxílio será financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e uma reunião com representantes dos clubes está marcada para esta terça-feira (29) para definir os detalhes. As informações são da Gazeta do Povo.

A proibição afeta diretamente pelo menos 14 dos 20 clubes da Série A, que têm patrocínio de bets como uma das principais fontes de receita. Segundo levantamento do Centro Universitário de Brasília, 32 dos 60 times das três primeiras divisões do futebol brasileiro exibem marcas de apostas. As plataformas pagaram R$ 1,143 bilhão aos 20 maiores clubes em 2025, representando cerca de 34% da receita de marketing desses times. No São Paulo, esse percentual chegou a 73%, de acordo com a Sports Value.

Clubes como Flamengo, Fluminense e Corinthians manifestaram preocupação com a insegurança jurídica causada pela proibição. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, estimou perdas entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões no orçamento de 2027. O Corinthians falou em “terra quase arrasada” e pediu ao menos 90 dias de transição antes do veto entrar em vigor. No Vila Nova, líder da Série B, o vice-presidente financeiro Hugo Jorge Bravo previu atrasos de salários e cortes drásticos.

Bets recorrem ao STF contra a proibição

O Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR), principal associação do setor, protocolou pedido de urgência no Supremo Tribunal Federal para suspender a medida provisória. A entidade argumenta que a proibição pode provocar “efeitos irreversíveis” antes da análise do Congresso, que tem 120 dias para aprovar ou rejeitar a MP. O IBJR alega que as empresas fizeram investimentos, pagaram impostos e contrataram funcionários acreditando nas promessas regulatórias do Estado, já que a lei de 2023 concedeu licenças de cinco anos às operadoras autorizadas.

A associação acusa o governo de agir de forma unilateral e sem critério técnico, além de retirar atribuições do Congresso na definição de políticas públicas. O setor defende que aperfeiçoar regras é diferente de desmontá-las e lembra que o mercado regulado gerou bilhões em tributos para esporte, seguridade social, segurança pública, educação e saúde.

Candidatos criticam timing da medida

Adversários de Lula na corrida presidencial criticaram o que classificaram como “oportunismo eleitoral” da medida, mas evitaram se opor diretamente à proibição das bets. O veto às empresas de apostas online é uma pauta popular, apoiada por cerca de 75% da população, segundo pesquisa da AtlasIntel divulgada na semana passada. Romeu Zema (Novo) questionou por que a proibição não foi feita antes: “Eu falo que bet é a cocaína digital. Viciou todo mundo, destruiu famílias e endividou o brasileiro”.

Ronaldo Caiado (PSD) disse que “a decisão foi oportunista, mas realmente isso vem, sem dúvida alguma, destruindo a sociedade brasileira”. Renan Santos (Missão) apostou na caducidade da medida: “Essa MP vai caducar, porque o Congresso é todo comprado pelas bets”. Flávio Bolsonaro (PL) chamou a proibição de “fraude eleitoral”.

O cenário é agravado pelo endividamento dos clubes: os times da Série A têm R$ 17,3 bilhões em dívidas, 15% a mais do que no ano anterior, segundo levantamento da Convocados Gestão e Futebol e da Outfield. A Gazeta do Povo pediu posicionamento à Secretaria de Comunicação do governo federal, ao Ministério da Fazenda e ao BNDES sobre o auxílio aos clubes. Até a publicação, os órgãos não haviam respondido.

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