O governo federal trabalha intensamente para tentar chegar a um consenso sobre um programa de concessões para operação e manutenção das rodovias entre as diversas esferas envolvidas na questão ainda neste mês de julho. Dessa forma seria possível consolidar uma proposta de texto legal para permitir esse modelo, a ser apresentado por meio de Medida Provisória, ou um projeto de lei, num curto prazo, ainda este ano. A afirmação é do secretário de Desenvolvimento da Infraestrutura do Ministério do Planejamento, Hailton Madureira de Almeida.

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De acordo com ele, o tema já tem sido discutido com potenciais interessados, incluindo investidores, empresas e bancos. “Percebemos que existe interesse neste nicho que pode surgir e esperamos que em pouco tempo isso possa estar na rua para o bem dos usuários do sistema”, disse, durante evento “Concessões de Rodovias: Nova Modelagem, Soluções e Financiamento”, que se realiza nesta sexta-feira em São Paulo.

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A meta governamental é conseguir transferir para a iniciativa privada já em 2018 entre 3 mil e 4 mil quilômetros de rodovias para operação e manutenção. Os trechos fazem parte dos cerca de 54 mil quilômetros de rodovias atualmente operados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

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No entanto, Almeida indicou que ainda não há definição dos trechos a serem concedidos, que precisarão ser objeto de estudos mais aprofundados, potencialmente a serem feitos por meio de parceria, com a contratação de consultorias.

O programa em estudo se diferencia das concessões de rodovias existentes atualmente. Isso porque prevê apenas a operação e manutenção do trecho concedido, sem a inclusão de muitas obras de expansão, e com prazo mais curto, de apenas 10 anos, em vez dos tradicionais 30 anos das concessões atuais. “Não vai ter construção, ampliação, é uma concessão de manutenção, deve ter alguma obra de aclive, declive, correção de curva, terceira faixa, mas algo bem controlado”, explicou o diretor do departamento de Concessões da Secretaria de Fomento e Parcerias do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Fábio Luiz Lima de Freitas, também presente no evento.

Almeida destacou que a ideia de uma concessão mais curta, e não prorrogável, está relacionada ao fato de que no horizonte de 10 anos pode surgir a necessidade de investimento maior, fazendo com que o trecho migre para o sistema de concessão tradicional numa nova licitação.

O secretário de desenvolvimento do Ministério do Planejamento comentou que a proposta em discussão é de criação de uma espécie de câmara de compensação, propiciando um tipo de subsídio cruzado, em que, a partir de valores de tarifa quilométrica padrão para os usuários, variáveis conforme o nível de serviço, rodovias que teriam custo originalmente menor possam sustentar rodovias que teriam um pedágio muito elevado e impraticável. Os operadores desses diferentes trechos seriam investidores distintos. É justamente sobre este ponto que a nova proposta de lei deve se deter.