O governo federal está pagando os juros mais altos em quase dez anos para conseguir empréstimos e financiar a dívida pública. Os investidores estão cobrando taxas maiores porque enxergam descontrole nas contas públicas, com gastos crescendo mais rápido que a arrecadação. As informações são da Gazeta do Povo.
No início de 2023, quando começou o terceiro mandato do presidente Lula, os títulos prefixados de longo prazo pagavam pouco mais de 10% ao ano. Agora, em 2026, esses mesmos papéis oferecem cerca de 14,7% ao ano. Já o Tesouro IPCA+ 2045, título mais antigo em negociação, saltou de 6,2% para 7,64% ao ano no período.
As despesas com juros atingiram 7,9% do PIB nos 12 meses encerrados em abril, segundo o Banco Central. É o maior valor desde janeiro de 2016, durante o governo Dilma Rousseff. A dívida pública subiu de 71,7% do PIB em dezembro de 2022 para 83,3% projetados para dezembro de 2026, conforme projeções do mercado financeiro.
Investidores exigem mais para emprestar ao Tesouro
Especialistas explicam que o aumento nos juros reflete a piora nas expectativas econômicas. João Luís Debom, da Supernova Investimentos, afirma que quando os investidores veem a dívida crescer sem medidas para equilibrar as contas, eles exigem remuneração maior para continuar financiando o Tesouro Nacional.
Rafael Minotto, da Ciano Investimentos, detalha que o governo gasta mais do que arrecada e precisa rolar a dívida pagando juros estimados entre R$ 800 bilhões e R$ 900 bilhões anuais. Esse ciclo corrói o espaço para investimentos públicos e pode levar à dominância fiscal, situação em que o endividamento alto limita a capacidade do Banco Central de controlar a inflação.
Famílias e empresas pagam a conta dos juros altos
Quando o Tesouro paga taxas maiores, o custo do dinheiro sobe em toda a economia. O crédito fica mais caro para a população e as empresas, o que reduz consumo, investimento e atividade econômica. Para o cidadão, o reflexo é custo de vida mais alto e aumento da carga tributária.
David Martins, da Brazil Wealth, alerta que as eleições agravam o cenário. Estimativas indicam que o volume de incentivos pode alcançar R$ 742 bilhões neste ano, equivalente a 5,4% do PIB. Essa prática pressiona a inflação e força investidores a exigir prêmios mais altos nos títulos de longo prazo.
