Economia

Governo negocia empréstimo de R$ 7 bilhões para os Correios

Imagem mostra o Palácio do Planalto, em Brasília.
Imagem mostra o Palácio do Planalto, em Brasília. Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

O governo federal negocia um empréstimo de R$ 7 bilhões com um consórcio de bancos internacionais para reforçar o caixa dos Correios. A operação visa aliviar a grave crise financeira da estatal no curto prazo, mas parte da conta ficará para o próximo governo. O desembolso está previsto em duas parcelas, uma ainda em 2026 e outra em 2027. As informações são do Valor Econômico.

Os Correios acumularam prejuízo de R$ 2,39 bilhões no segundo trimestre de 2026 e de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre do ano. A estatal não paga dividendos à União há quatro anos. A última transferência ao Tesouro Nacional ocorreu em maio de 2022, no valor de R$ 310,8 milhões. Desde então, enquanto outras estatais repassaram R$ 255,9 bilhões ao governo federal, os Correios não remuneraram o acionista controlador.

As demonstrações contábeis do segundo trimestre mostram disponibilidade de R$ 4,9 bilhões no caixa e em aplicações financeiras. Para manter as operações no curto prazo, a estatal precisará usar recursos próprios até a liberação do empréstimo.

A ausência de dividendos é consequência da deterioração das contas dos Correios, que acumulam prejuízos desde 2023. Após registrar resultado negativo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025, valor três vezes superior ao do ano anterior, a estatal contabilizou prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

Segundo os Correios, a empresa enfrenta pressões sobre resultados, caixa e patrimônio. Entre os fatores estão a queda das receitas dos serviços postais tradicionais, o aumento dos custos operacionais, as provisões para passivos judiciais de períodos anteriores, a concorrência nos segmentos logísticos e o custo de manter a capilaridade exigida pelo serviço postal universal.

Cerca de 71% das localidades atendidas operam sem lucro em razão do dever legal de universalização postal. Diante do rombo orçamentário, a gestão da estatal busca alternativas para diversificar receitas e cortar custos. Entre as ações em andamento estão o fechamento de até mil agências deficitárias, vendas de imóveis e programas de demissão voluntária.

O governo federal autorizou os Correios a atuarem na comercialização de seguros, títulos de capitalização e na prestação de serviços de telefonia celular como operadora virtual.

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