O governo federal anunciou dezenas de medidas, benefícios e renúncias fiscais em 2026 que somam entre R$ 298,4 bilhões e R$ 354 bilhões, segundo levantamentos da Instituição Fiscal Independente (IFI) e do jornal O Estado de S. Paulo. As informações são da Gazeta do Povo. Os números colocam a tentativa de reeleição do presidente Lula (PT) entre as mais caras da história recente do país. O pacote inclui desde a revisão da taxa sobre compras internacionais até o perdão de dívidas de microempreendedores, além de propostas de gratuidade no transporte público e bolsa mensal para universitários.

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A IFI, ligada ao Senado, estimou em R$ 298,4 bilhões o volume mobilizado por benefícios e políticas do governo em 2026. Já o Gastômetro reuniu 46 medidas e chegou a R$ 354 bilhões. Os valores equivalem a cerca de 2,2% do PIB projetado para o ano. Em 2014, os gastos da reeleição de Dilma Rousseff foram estimados em 3,1% do PIB por estudo da FGV Ibre.

Alexandre Manoel, pesquisador do Ibre, afirma que essa reeleição caminha para ser comparável à de Dilma. O impulso fiscal chegou a 3,19% do PIB no acumulado de janeiro a setembro de 2026, bem acima dos 1,34% registrados no mesmo período de 2022. A diferença é que em 2022 as contas públicas apresentaram superávit primário, enquanto em 2026 foi registrado déficit.

Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia da Tendências Consultoria, avalia que nem tudo será compensado e deve sobrar um volume significativo. Segundo ela, o ajuste fiscal a partir de 2027 partirá de uma situação pior, exigindo esforço maior para colocar as contas públicas em trajetória sustentável.

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O Ministério da Fazenda informou que os valores não representam integralmente impacto adicional no Orçamento de 2027. A pasta afirma que encaminhará ao Congresso os ajustes necessários e que as iniciativas ainda dependem da definição de formato e estimativa de custos. Segundo a nota, os ajustes serão compatibilizados com a meta de resultado primário e com o arcabouço fiscal.

Entre as principais medidas anunciadas estão a revogação da taxa de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, sancionada em setembro. O programa Move Brasil ampliou o financiamento de veículos para taxistas e motoristas de aplicativos, com teto passando de R$ 150 mil para R$ 200 mil. O governo também reduziu tributos federais sobre gasolina e etanol e autorizou subsídios ao diesel, em pacote estimado em R$ 7 bilhões por mês.

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O Bolsa Família teve reajuste de 15,04%, com valor mínimo passando de R$ 600 para R$ 691 por família. O impacto fiscal estimado para 2026 é de R$ 5,8 bilhões. O governo apresentou a mudança como recomposição inflacionária desde a retomada do programa em 2023. O Desenrola Brasil 3.0 pretende renegociar até R$ 150 bilhões em dívidas, com custo público estimado em até R$ 15 bilhões até 2028.

O programa Prospera MEI prevê perdão de dívidas tributárias federais a partir de janeiro de 2027. Na sanção da lei em outubro, o governo estimou em mais de R$ 18,7 bilhões o volume de dívidas abrangidas. A proposta de tarifa zero nos fins de semana e feriados foi enviada ao Congresso em outubro, destinando ao menos 26,8% das emendas parlamentares ao custeio da gratuidade, o que corresponderia a cerca de R$ 11,2 bilhões em 2027.