O Banco Central e o Tesouro Nacional resgataram US$ 10,3 bilhões em títulos cambiais e contratos de “swap” cambial (cuja remuneração varia de acordo com a variação dos juros e do dólar) nos primeiros três meses deste ano. A decisão de recomprar esses papéis sem oferecer outros semelhantes ao mercado faz parte da estratégia do governo de dar maior previsibilidade ao pagamento da dívida, uma vez que a cotação do dólar tem apresentado fortes variações nos últimos anos.

A velocidade de redução da dívida cambial, entretanto, pode ser considerada surpreendente. Em todo o ano de 2003, o governo resgatou US$ 19,1 bilhões em papéis atrelados ao dólar, ou pouco menos do que o dobro do primeiro trimestre deste ano.

Segundo o chefe do Departamento de Mercado Aberto do BC, Sérgio Goldenstein, a demanda por papéis cambiais no mercado tem sido “muito fraca”. Com a expectativa de estabilidade da moeda norte-americana nos próximos meses, os investidores têm preferido direcionar recursos a outras aplicações.

Além disso, Goldenstein também explicou que as próprias empresas não têm renovado integralmente os contratos de “hedge” (espécie de seguro contra variações cambiais) que vão vencendo.

O BC, entretanto, suspendeu em fevereiro sua política de compra de dólares no mercado à vista para recompor reservas. No mês passado, quando o mercado esteve bastante volátil devido ao caso Waldomiro Diniz e à expectativa de aumento dos juros nos Estados Unidos, não foram feitos leilões de compra da moeda norte-americana.

Outras conseqüências da forte variação dos preços dos ativos no mercado foram a diminuição do prazo médio de pagamento da dívida pública de 31,3 meses em janeiro para 30,7 meses em fevereiro. Além disso, o percentual da dívida que vence nos próximos 12 meses subiu de 35,7% para 38,2%.