O governo federal estuda criar um leilão para comprar dívidas antigas que bancos e credores já consideram irrecuperáveis. A proposta foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e prevê descontos superiores a 95% sobre o valor original dos débitos. O programa deve ser apresentado ao presidente Lula nos próximos dias, com expectativa de começar no início de 2027. As informações são da Gazeta do Povo.
A ideia é que o Tesouro Nacional adquira essas dívidas por um valor muito inferior ao original em leilão, permitindo que os devedores tenham seus nomes limpos. Diferente do Desenrola Brasil, em que os cidadãos negociavam diretamente com credores, agora o governo compraria os débitos com grande deságio – ou seja, com desconto elevado sobre o que é devido.
Endividamento das famílias bate recorde histórico
O endividamento das famílias brasileiras chegou a 49,8% da renda disponível em julho, próximo ao recorde da série histórica do Banco Central iniciada em 2005. O número de inadimplentes saltou de 72,1 milhões em janeiro de 2024 para 84 milhões em agosto deste ano, segundo a Serasa Experian. O volume total das dívidas negativadas alcança R$ 592,1 bilhões, com média de R$ 7.049,68 por CPF.
Programas anteriores não resolveram o problema
Esta é mais uma iniciativa do governo para reduzir o endividamento, após o Desenrola Brasil (2023), o Novo Desenrola Brasil e o Desenrola Adimplentes (ambos em 2026). A equipe econômica compara os programas a “vacinas” aplicadas periodicamente para melhorar as condições de crédito. Mesmo assim, endividamento e inadimplência permanecem em níveis recordes. A operação levanta questões fiscais, pois o Estado pode assumir perdas que hoje pertencem às instituições financeiras.
