O secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse hoje que o governo espera um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 7,5% a 8,5% no primeiro trimestre, em relação ao quarto trimestre, já com ajuste sazonal. No entanto, ele afirmou que esse ritmo de crescimento não deve se manter ao longo do ano. “Todo mundo sabe que o PIB do primeiro trimestre vem forte, com um crescimento anualizado de mais de 8%, no mesmo nível do período anterior, mas sabemos que entrando o terceiro trimestre vai dar uma desacelerada”, afirmou ao chegar ao Senado, onde participa de audiência pública sobre a criação do Fundo Social do pré-sal.

Segundo Barbosa, o governo irá aguardar a divulgação do PIB do primeiro trimestre em junho para fazer uma revisão mais fina de sua projeção para o ano. Ele antecipou que, no decreto de programação orçamentária, a ser divulgado no próximo dia 20, a previsão do governo será elevada de 5% para algo entre 5,5% e 6%. Na semana passada, o secretário havia estabelecido um teto de 6,5%.

Barbosa explicou que os resultados do quarto trimestre de 2009 e do primeiro trimestre de 2010 refletiram todos os estímulos do governo à economia, como a redução de tributos e o aumento do gasto com funcionalismo, que, segundo ele, já está caindo. O secretário disse ainda que haverá um aumento da arrecadação de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e demais impostos, como reflexo da retirada desses incentivos. “Vamos continuar crescendo, mas com uma taxa mais desacelerada”, afirmou.

Ele disse que o resultado das vendas no varejo em março ainda é influenciado pelas vendas de automóveis naquele mês, quando havia redução de IPI. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas do comércio varejista subiram 1,60% em março na comparação com o mês anterior, na série com ajuste sazonal, e aumentaram 15,70% ante março de 2009. De acordo com Barbosa, já há sinais de desaceleração do crescimento em abril, em função da retirada de estímulos.

Longo prazo

Barbosa confirmou que o governo está discutindo formas de desenvolver fontes privadas de financiamento de longo prazo para que essa atribuição não recaia somente sobre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo ele, o banco teve um papel importante durante a crise na manutenção de projetos e obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas, com a normalização da economia, o governo espera ter fontes privadas de financiamento mais relevantes.

Dois instrumentos anunciados recentemente são importantes para que isso ocorra: a criação das Letras Financeiras e a reformulação do sistema de seguro e garantia. Segundo ele, esse segundo item, que foi anunciado semana passada durante a divulgação do pacote de ajuda ao setor exportador, acaba estimulando o financiamento doméstico.

O secretário afirma, no entanto, que não deve haver este ano redução de carga tributária para financiamentos de longo prazo. Segundo ele, esta é uma agenda de médio e longo prazo, mas a redução de tributos não está na mesa por questão fiscal. Ele acredita que esse é um tema para 2011. “O fato de não haver espaço para redução de tributos não quer dizer que não podemos avaliar o assunto”, disse.