Brasília – Outubro foi um mês de recordes para o intercâmbio comercial brasileiro. Ainda que pela média diária tenha havido queda em relação a setembro, tanto exportações quanto importações registram as maiores cifras da história: US$ 15,76 bilhões e US$ 12,330 bilhões, respectivamente. O resultado levou o governo federal a elevar a meta de vendas externas para este ano de US$ 155 bilhões para US$ 157 bilhões. No ano passado, o valor foi de US$ 137,47 bilhões.

Como no ano passado, no entanto, são as importações que mais crescem. No acumulado do ano, a alta é de 29,8% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as exportações subiram 16,5%. Por isso, a previsão do governo federal para este ano é de um saldo comercial menor que o do ano passado.

?A nossa expectativa é que o saldo comercial possa se manter dentro da previsão que nós já fizemos, de US$ 40 bilhões?, afirmou nesta quinta-feira (1º) o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, durante divulgação dos números da balança comercial de outubro. A previsão é menor que o total de 2006: US$ 46,07 bilhões. No acumulado de janeiro a outubro deste ano, o saldo é de US$ 34,37 bilhões.

Barral chamou a atenção para a grande participação de insumos, bens intermediários e bens de capital na pauta de importações. ?E isso é extremamente positivo pois quer dizer que a indústria brasileira está agregando bastante valor?, avaliou. Embora os bens de capital, insumos e bens intermediários continuem representando mais de 70% da pauta de compras brasileiras no exterior, mesmo cenário registrado em 2006, são as importações de bens de consumo que mais crescem.

Em outubro deste ano, a alta de importações nesta categoria de produtos foi de 41% na comparação com o mesmo mês do ano passado, com destaque para automóveis de passageiros da Argentina, México e Coréia do Sul, que cresceram 109%. Em setembro deste ano, só as compras de carros da Coréia haviam registrado 255,15% de aumento em relação ao mesmo período de 2006.

As compras de matérias-primas e bens intermediários também cresceram, mas a ritmo menos acelerado: 32,6% em relação a outubro de 2006. As importações de bens de capital tiveram alta de 32,8%, com destaque para maquinaria industrial, máquinas e aparelhos para escritório e científico e peças para bens de capital.

Quanto às exportações, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior, os números de outubro se devem tanto ao aumento das quantidades embarcadas quanto à elevação de preços de diversos produtos. Em valores, o principal item exportado pelo Brasil foi o de automóveis, tendo como destinos Argentina, México, Alemanha e Venezuela. As maiores altas, porém, na comparação com outubro do ano passado, foram de gasolina (229,2%) e óleos combustíveis (150,3%).

O secretário de Comércio Exterior reconhece que a valorização do real frente ao dólar prejudica as exportações de alguns setores, mas acredita que beneficia outros e diz que o governo estuda medidas para compensar os segmentos mais afetados. ?A queda do dólar afeta alguns setores industriais mais que outros?, afirmou. ?A expectativa é que alguns setores industriais possam ser atendidos com novas medidas que vão ser adotadas pelo governo, mas para algumas indústrias, essa queda do dólar tem sido vantajosa justamente para a renovação do parque tecnológico e para investimentos no exterior?.