Altamir Lopes, do BC: arrecadação
ainda foi insuficiente.

continua após a publicidade

A economia feita pelo setor público consolidado (União, estados, municípios e estatais) para o pagamento de juros, o chamado superávit primário, foi de R$ 6,314 bilhões em maio, menor que o recorde histórico de R$ 16,335 bilhões registrado em abril. No entanto, o resultado é o melhor para o mês desde o início da série, em 1991. Além disso, os números de maio mostram uma maior contribuição das estatais e dos governos regionais para o resultado.

A queda do superávit primário do governo central (Tesouro, Previdência e Banco Central) na comparação com o mesmo mês do ano passado, de R$ 4,692 bilhões para R$ 2,204 bilhões, foi compensada pela melhora do resultado das estatais, que passou de um déficit de R$ 735 milhões para um superávit de R$ 1,359 bilhão.

Segundo Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do BC, não há um fator específico para essa melhora. Já no caso dos governos regionais, o aumento do superávit, de R$ 1,881 bilhão em maio do ano passado para R$ 2,751 bilhões no mês passado, é conseqüência da melhora da atividade econômica – que aumenta a arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) – e do maior volume de repasses recebidos pelo governo central. ?Você tem toda uma gestão fiscal responsável que afeta os níveis de governo?, disse Altamir.

Nominal

continua após a publicidade

No mês passado, os gastos com juros nominais somaram R$ 13,711 bilhões. Portanto, o resultado primário obtido pelo setor público (R$ 6,314 bilhões) foi insuficiente para cobrir toda a despesa com juros do mês, o que resultou em um déficit nominal (saldo negativo entre receitas e despesas, incluindo os gastos com juros) de R$ 7,397 bilhões. No mês anterior, o déficit foi de R$ 3,057 bilhões.

O resultado de maio piorou em relação ao mês de abril devido ao crescimento das despesas do governo central e do aumento dos repasses a estados e municípios.

continua após a publicidade

No ano, o superávit primário – que representa a diferença entre as receitas e despesas do governo excluídos os gastos com juros – acumulado é de R$ 50,326 bilhões, contra R$ 38,268 bilhões do mesmo período do ano passado. Esse valor é equivalente a 6,57% do PIB (Produto Interno Bruto, soma de todas as riquezas produzidas por um país), ante 5,64% entre janeiro e maio de 2004, também o melhor resultado para o período desde o início da série.

Até agosto, a economia para o pagamento de juros deve chegar a R$ 60,184 bilhões, ou 4,66% do PIB, segundo a meta estipulada pelo Ministério da Fazenda. A meta para o ano é uma economia equivalente a 4,25% do PIB (R$ 83,849 bilhões).

O governo central contribuiu para o resultado consolidado do acumulado do ano com um superávit primário de R$ 34,351 bilhões, enquanto os governos estaduais e municipais fizeram uma economia de R$ 12,005 bilhões e as empresas estatais, de R$ 3,970 bilhões.

Já o déficit nominal acumulado no ano está em R$ 14,568 bilhões, o equivalente a 1,90% do PIB, contra 2,02% no mesmo período do ano passado.

Dívida

A dívida líquida do setor público atingiu em março R$ 957,570 bilhões, o que representa 50,3% do PIB, contra R$ 956,7 bilhões (50,4% do PIB) do mês anterior. Em dezembro, a relação dívida/PIB era de 51,7%.

O BC alterou os dados da relação dívida/PIB desde novembro do ano passado em conseqüência da revisão sofrida pelo PIB de 2004, que passou de 5,2% para 4,9%.

Para este mês, a previsão do BC é que a relação dívida/PIB fique em 50,4% e chegue a 51,3% no final do ano.

Superávit é tudo o que é possível economizar

Superávit primário do setor público consolidado é o quanto de receita a União, os estados, os municípios e as empresas estatais conseguem economizar, sem considerar os gastos com os juros da dívida.

Para aumentar o superávit primário, o governo foi obrigado nos últimos anos a aumentar a arrecadação de impostos e a promover mais cortes nos gastos previstos no Orçamento. Ambas as medidas são impopulares e contribuíram para limitar o crescimento da economia brasileira. Isso, por sua vez, implicou no aumento do desemprego e na queda da renda.

A economia de recursos, no entanto, também era a mais importante das exigências do FMI (Fundo Monetário Internacional) para emprestar dinheiro ao País. Mesmo com o fim do acordo no primeiro trimestre deste ano, o governo manteve o aperto fiscal com o objetivo de não perder a confiança do mercado internacional.

Em 2005, a meta de superávit primário é de 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto). O Ministério da Fazenda ainda pode, entretanto, elevar essa meta.