Governo do PT descarta correção da tabela do IR

O coordenador-geral de Política Tributária da Receita Federal, Márcio Verdi, descartou a possibilidade de correção da tabela de Imposto de Renda. Verdi se reuniu ontem com representantes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que reivindicam uma correção de 50,4% na tabela de IR.

Segundo ele, qualquer possibilidade de correção estará desvinculada de índices inflacionários. Primeiro porque o governo trabalha com a hipótese de inflação zero. “Segundo, porque isso seria correção monetária e nós acabamos com ela.”

No entanto, Verdi admitiu aos metalúrgicos do ABC que a Receita estuda alterações para aperfeiçoar a tabela de IR. “Haverá mudanças no Imposto de Renda. Pode ser através da recomposição da tabela, maior divisão de classes de contribuintes ou até novas alíquotas”, disse ele.

Verdi disse que as mudanças precisam ocorrer ainda este ano para poderem entrar em vigor a partir de 2004.

Já os metalúrgicos insistiram na necessidade de correção da tabela de IR em 50,4% para compensar as perdas sofridas pelos trabalhadores desde o último ajuste na tabela.

A categoria aceita pelo menos 15% de correção – índice correspondente a inflação entre janeiro de 2002 e setembro de 2004 – para evitar novos prejuízos este ano.

“Queremos evitar que se repita neste governo o que ocorreu nos últimos anos, quando parte dos reajustes conquistados pelos trabalhadores nas campanhas salariais foi perdido para o Imposto de Renda”, disse o diretor do sindicato, Valter Sanches.

Segundo ele, os metalúrgicos correm o risco de perder 4% de poder aquisitivo se a tabela de IR permanecer congelada e os salários tiverem um reajuste de 15%.

Verdi prometeu levar as reivindicações dos metalúrgicos ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci.

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