O secretário adjunto do Ministério de Minas e Energia (MME), Moacir Bertol, afirmou que a Eletrobras estará presente nos próximos leilões de transmissão a serem realizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A estatal, segundo ele, não tem “nenhuma restrição” em participar de novas disputas. No leilão desta sexta-feira, 17, a companhia, representada pelas controladas Eletronorte e Furnas, não apresentou proposta pela segunda linha de transmissão responsável pelo escoamento da energia da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

continua após a publicidade

“Cada empresa tem sua capacidade de investimento. Não há nenhuma restrição”, disse Bertol, para na sequência destacar que a Eletrobras participará de novos leilões de transmissão. “Há um grande número de projetos de transmissão e a Eletrobras vai estar presente”, complementou.

A próxima disputa deve acontecer no dia 26 de agosto. Na oportunidade, devem ser leiloados empreendimentos com potencial de investimento de R$ 7,7 bilhões. Em outubro, deve haver mais um leilão de transmissão, com potencial investimento de R$ 4,5 bilhões. Um terceiro leilão, a ser realizado entre dezembro e o primeiro semestre de 2016, pode movimentar outros R$ 21 bilhões em investimentos, segundo o diretor da Aneel, André Pepitone.

Desconforto

continua após a publicidade

Embora tenha destacado que o sistema de disputa no Brasil seja aberto, o representante do MME destacou que o governo preferia que o vencedor se associasse a um parceiro local. “Lógico que gostaríamos que tivesse parceria com um grupo local, especialmente com uma empresa do grupo Eletrobras. Isso facilitaria. Mas temos um sistema aberto e, em estando habilitada e em condições de participar, pode concorrer”, disse Bertol.

O vice-presidente da State Grid Brazil Holding, Ramon Haddad, destacou que uma parceria dos chineses com a Eletrobras foi tentada, mas dificuldades relacionadas ao cronograma impediram um acordo em tempo hábil. Concluído o processo de disputa, a State Grid vai continuar em negociações com potenciais parceiros interessados em participar do projeto de construção da segunda linha de transmissão.

continua após a publicidade

Questionado sobre uma eventual intenção da State Grid em utilizar um grande número de chineses nas construções do projeto, Haddad descartou a possibilidade. “Teremos uma busca por trabalhadores locais, inclusive nas áreas por onde passará a linha de transmissão e na região das duas subestações”, disse o executivo. As estações conversoras serão instaladas em Xingu, no Pará, e no Rio de Janeiro. “Mas também teremos alguns experts chineses que vão nos ajudar com a tecnologia”, ponderou Haddad.