O governo está estudando medidas compensatórias de aumento de receitas e combate a fraudes para equilibrar o impacto nas contas públicas das mudanças na proposta de reforma da Previdência que estão sendo negociadas com o Congresso Nacional. A informação é do líder do governo no Senado Federal, Romero Jucá (PMDB-RR). Em conversa com os jornalistas no Palácio do Planalto, Jucá disse que essas medidas de compensação serão incluídas no texto da Proposta de Emenda Constitucional (PEC).

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Ao ser questionado sobre como vai fazer essa compensação, Jucá respondeu: “Tem que acreditar na nossa criatividade”.

Ele não descartou a possibilidade de mudanças nas regras do Abono Salarial nem o fim de isenções da contribuição previdenciária para as chamadas filantrópicas. Jucá citou em especial universidades particulares que são filantrópicas e “têm aviões e salários altos”. O senador ponderou, no entanto, que no caso das filantrópicas da área de saúde é preciso ver o impacto e se vale a pena mudanças.

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“O abono estamos discutindo. Não està definido nada”, confirmou o senador. Ele destacou que num quadro de pouco dinheiro, é preciso verificar o que é prioridade para ter “salário mínimo”. “É isso que estamos avaliando”, disse.

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Questionado se o fim do abono salarial faz justiça social, o senador respondeu: “O abono é um instrumento de repasse de recursos. Se houver pouco recursos, vai se discutir se é melhor dar abono ou um salário mínimo para quem ganha Benefício de Prestação Continuada [BCP]”, afirmou.

O líder do governo disse que o assunto foi discutido em reunião na terça-feira, 11, à noite com o presidente Michel Temer. Ele acrescentou que essa compensação é necessária para equilibrar a conta da reforma. Segundo ele, o PMDB apoia os ajustes e as compensações. “Temos que ter compensações. Estamos fazendo uma reforma que não é para resolver o problema. Quem disse que é para Previdência está equivocado. Não viu os números”, enfatizou Jucá.

Segundo ele, daqui a alguns anos será preciso ter outra reforma. “Nós estamos querendo diminuir o ritmo do déficit e se estamos dando concessões temos que buscar alguns caminhos para equilibrar a conta”, disse.