O governo federal tirou do ar 506 sites ilegais de apostas online, as chamadas bets, apenas no primeiro fim de semana após a entrada em vigor da medida provisória que proíbe as plataformas no Brasil. A ação ocorreu entre sexta-feira (25) e domingo (27) de abril. As informações são da GloboNews.
Esta suspensão se soma aos cerca de 50 mil sites que já foram bloqueados desde o início da regulamentação, em janeiro de 2025. As bets legalizadas têm até 6 de outubro para encerrar as atividades e devolver integralmente o dinheiro dos usuários.
Chico Lucas, secretário nacional de Segurança Pública, informou que o governo mapeou 43 grupos de Telegram com oferta de links para mais de 200 mil usuários. As equipes também monitoram influenciadores que foram alvos de operações policiais por crimes relacionados à oferta e publicidade de bets, além de casos envolvendo crime organizado.
Proibição entra em vigor imediatamente
A proibição das bets foi estabelecida na sexta-feira (25) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por meio de medida provisória, que tem validade imediata. O texto precisa ser votado pelo Congresso Nacional em até 120 dias para se tornar lei definitiva.
O governo estabeleceu um período de transição entre 5 e 14 de outubro para que as plataformas suspendam a publicidade, encerrem os serviços e devolvam o dinheiro apostado pelos usuários.
Segundo o secretário, a suspensão da publicidade e o monitoramento dos sistemas de pagamento serão os principais mecanismos para combater bets ilegais após a proibição total. Ele afirmou que as equipes da secretaria serão reforçadas para fiscalizar atividades irregulares na internet.
Operações descobrem fraudes bilionárias
Chico Lucas destacou que mesmo algumas bets legais com autorização agiam de modo ilícito. Operações policiais mostraram conluio entre plataformas de apostas online e o crime organizado, principalmente para lavagem de dinheiro.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e a Polícia Federal atuarão no confisco de recursos remanescentes e no direcionamento de valores para a segurança pública, conforme prevê a medida provisória.
Apenas no mês passado, duas operações da Receita Federal apuraram movimentações suspeitas de mais de R$ 6 bilhões envolvendo bets, incluindo sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Em um dos casos, as plataformas utilizavam empresas de fachada em paraísos fiscais para efetuar fraudes.
Em outra operação, o grupo criminoso usava CPFs de pessoas falecidas e contratos atípicos de prestação de serviços para enviar dinheiro para fora do país. Uma bet que atuava de forma legalizada foi alvo da investigação.
Uma operação realizada em junho descobriu um esquema envolvendo bets ilegais que movimentou mais de R$ 4,6 bilhões ao longo de 2025 utilizando nomes de pessoas laranjas de baixa renda, beneficiários de programas assistenciais ou parentes dos responsáveis.
