Foto: Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil

Guido Mantega: amenizar o "derretimento do dólar".

As medidas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para tentar amenizar o ?derretimento? do dólar e aumentar as exportações foram vistas com bons olhos pelos economistas, embora sejam consideradas insuficientes, mas dentro do que a política brasileira permite no momento. A moeda dos Estados Unidos está em seu mais baixo valor desde 1999 (R$ 1,674).

O consultor do Núcleo de Negócios Internacionais da Trevisan Consultoria e professor da Trevisan Escola de Negócios, Pedro Raffy Vartanian, diz que as medidas são necessárias, mostram a preocupação do governo federal com a valorização do real, mas ainda são insuficientes. Para ele, o fim da cobertura cambial pode dar mais incentivo ao exportador e, consequentemente, trazer mais dólar para o País, o que contribui para a valorização do real. A eliminação do IOF sobre exportações brasileiras contribui para que as exportações não diminuam, segundo o professor. ?Mas talvez fosse possível acrescentar a estas medidas a isenção do Imposto de Renda para o investidor estrangeiro, medida que ainda está sendo discutida. Seria algo adicional para tentar conter o derretimento do dólar?, avaliou.

Na opinião do economista e professor da Universidade Positivo, Artur da Silva Coelho, duas das três medidas anunciadas pelo ministro podem amenizar o derretimento do dólar: a aplicação da alíquota de IOF de 1,5% sobre as aplicações de estrangeiros, que pode afastar investidores; e o fim da cobertura cambial, que faz com que o dólar se mantenha fora do País, ou seja, os exportadores podem deixar todas as suas receitas no exterior (atualmente, há um limite de 30% das receitas).

Já o professor do Centro Universitário UniFAE, Cristian Luiz da Silva, diz que as medidas não vão causar tantas mudanças, embora sejam necessárias. Segundo ele, a aplicação da alíquota de IOF de 1,5% sobre as aplicações dos estrangeiros não vai afastar o investidor necessariamente. Entre as três, esta medida é a que mais poderá influenciar, segundo Silva. ?Temos que analisar o quanto as aplicações rendem aqui. É possível que, mesmo assim, os ganhos aqui sejam melhores do que nos outros países?, comentou. Já as outras duas decisões (eliminação do IOF sobre exportações e da cobertura cambial) incentivam as exportações, segundo o professor.