O governo federal anunciou ter zerado a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), uma das principais promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (4) pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em cerimônia no Palácio do Planalto, a um mês das eleições. Para chegar a esse resultado, o governo mudou os critérios de avaliação do que é considerado fila. As informações são da Gazeta do Povo.
Apesar do anúncio, o próprio ministro e o secretário-executivo da pasta, Felipe Cavalcante, admitiram que ainda há 224 mil pessoas aguardando perícias há mais de 45 dias. O governo classifica esse grupo como “residual”. Segundo Queiroz, esses são “pedidos especialíssimos, de casos mais complexos”.
Até junho, o site do INSS definia como fila o conjunto de pedidos que aguardavam apreciação há mais de 45 dias. A meta do governo era solucionar o problema até o fim de setembro. Atualmente, o INSS recebe cerca de 1,3 milhão de solicitações por mês, o equivalente a 43 mil pedidos por dia.
Segundo o ministro, quando a capacidade de atendimento supera a entrada de novos requerimentos, a fila deixa de existir formalmente. “Quando isso acontece, não temos uma fila. Temos um fluxo de atendimento. Estamos numa situação parecida com uma loja que tem 12 vendedores e entram 8 clientes”, disse Queiroz.
Em fevereiro, 3,12 milhões de pessoas aguardavam na fila, enquanto 1,17 milhão de novos pedidos foram abertos no mês. Em julho, o total de esperas caiu para 1,547 milhão. Em agosto, o volume de novos pedidos superou a quantidade de pessoas aguardando atendimento.
Questionado sobre a alteração metodológica para declarar a fila zerada, o ministro negou qualquer manipulação. “Não mudamos critério nenhum. Nós estamos apreciando, analisando pedidos como nunca analisamos. São números reais. Então não tem truque, não tem pegadinha”, afirmou aos jornalistas presentes.
