Foto: Aliocha Maurício/O Estado

Varig: solução pode ser a Lei de Falências.

O ministro da Defesa, Waldir Pires, admitiu ontem que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pode financiar grupos interessados na compra da Varig, ?desde que seja possível uma solução absolutamente dentro da lei?. A afirmação foi feita depois de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada.

Anteontem à noite, a ministra afirmou que a solução para a crise financeira da Varig ?está delimitada na Lei de Recuperação Judicial?, a chamada Lei de Falências. Segundo ela, o BNDES ?pode emprestar dinheiro a grupos que queiram assumir a companhia, mas se estiverem também em situação regular dentro da legislação brasileira?.

Questionado sobre a possibilidade de a cobrança da dívida que a Varig tem com a Infraero levar a empresa aérea à falência, ele afirmou que é obrigação da estatal cobrar. ?A Infraero tem de cumprir a disposição legal. Não é uma decisão cobrar ou não cobrar. É uma obrigação.?

O ministro afirmou que o presidente Lula está empenhado em achar uma solução para a empresa aérea ?que seja viável e esteja dentro da competência do governo?. Segundo ele, não existe prazo para essa solução, que depende das negociações com todos os setores.

Sobre a vinda a Brasília do juiz da 1.ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Luiz Roberto Ayoub, encarregado do processo da Varig, Waldir Pires disse que está disposto a ouvir as argumentações.

Estatizar

O presidente da Associação de Pilotos da Varig (Apvar), Rodrigo Marocco, considera inviável a possibilidade de estatizar a companhia aérea para a posterior venda à iniciativa privada. ?No nosso entendimento isso é uma loucura. Não há a menor necessidade de se fazer algo nesse sentido?, disse.

Ele ressaltou, no entanto, que os funcionários admitem essa possibilidade como uma forma de sanar a empresa, que já tem um plano de recuperação judicial aprovado pelos credores. ?Agora, estatizar a empresa, seja nacional ou internacional, para entregá-la a uma outra empresa, não faz o menor sentido?, observou.

Marocco lembrou que propostas de estatização foram feitas no passado, incluindo a que previa a entrega imediata das rotas nacionais da Varig para a Gol e para a TAM e a estatização de rotas internacionais enquanto outras companhias se preparariam para absorver as linhas ao exterior.