O governo estuda a possibilidade de assumir temporariamente a administração da Varig, entre as várias alternativas em análise para salvar a companhia, com o objetivo de sanear sua dívida de R$ 6 bilhões. Depois, a empresa seria repassada para investidores. A informação é do presidente da Infraero, Carlos Wilson Campos. A estatal é um dos maiores credores da Varig, com um crédito de cerca de R$ 300 milhões.

Campos admite, ainda, a possibilidade de a Infaero vir a participar do capital da empresa aérea. “Ela (a Varig) pode passar por um período de saneamento. Não significa que ela vai ser estatal. Ela tem que ser viabilizada para que ela possa ser vendida. Tem que aparecer grupos interessados pela certeza de estarem fazendo um bom investimento. Ninguém está pensando em estatizar”, afirmou Campos.

Logo em seguida, em tom de brincadeira, ele lembrou que “praticamente ela (Varig) está estatizada, porque nós (credores estatais) estamos injetando (dinheiro) e tendo paciência em não executar os créditos”, acrescentou, depois de inaugurar, no Rio, a nova sede da Infraprev, fundo de pensão dos funcionários da Infraero, que administra 66 aeroportos no País.

Esta é a segunda vez que o presidente da Infraero defende a atuação direta do governo para acelerar uma solução para a Varig. Em julho de 2003, ele defendeu intervenção no processo de fusão Varig-TAM para possibilitar a negociação, que por hora foi esvaziada.

Campos disse que o débito da Varig cresce em torno de US$ 400 milhões por ano, já que a empresa tem um fluxo de caixa de US$ 180 milhões e contas a pagar de US$ 600 milhões. Da dívida, explicou, dois terços estão comprometidos com o governo. “Se não forem injetados recursos novos, ela (Varig) não vai conseguir se recuperar”, disse.

Só a dívida com a Infraero representa um terço do capital da nova companhia que deverá ser criada, saneada financeiramente. “Nessa nova empresa, a Infraero admite inclusive participar”, afirmou Wilson.

Segundo ele, a Fundação Ruben Berta (FRB), dona de 87% das ações da Varig, deverá ter uma “participação simbólica” na nova empresa, já chamada de “SuperVarig”. “É bom que a Fundação Ruben Berta entenda que ela já cumpriu o papel dela, e que ela precisa colaborar para salvar a Varig. Quem vai querer comprar a Varig tendo a Fundação Ruben Berta como controladora? “, questionou.