Rio

  – A lua-de-mel entre a Gol e os passageiros de companhias aéreas anda ameaçada. A empresa, que na sua estréia, em janeiro de 2001, fez a concorrência tremer ao oferecer o trecho Rio-São Paulo (partindo do Galeão) por R$ 79, cerca de 60% abaixo do valor cobrado pelas outras empresas, oferece agora uma economia de 35,5% na Ponte-Aérea. Hoje, voar do Rio para São Paulo na Gol custa R$ 199, contra R$ 309 na Varig e TAM e R$ 259 na Vasp.

O aumento, também relacionado à alta do combustível e do dólar, pode ser um sinal de que a empresa está mudando sua estratégia para continuar rentável, de acordo com analistas. A Gol, no entanto, garante que vai fechar o ano com lucro e que manteve cada centavo dos investimentos programados, apesar de toda a crise do mercado.

Segundo especialistas do setor, em busca de uma participação maior no mercado doméstico, a empresa praticamente dobrou sua frota de Boeings 737, de dez, no início do ano, para 19 até dezembro. Isso aumentou os gastos com leasing (aluguel com opção de compra), cujo custo estimado é de US$ 250 mil por avião.

O investimento seria arriscado, já que a demanda do setor caiu 9,1% apenas em outubro, de acordo com o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea). Já a taxa de ocupação das aeronaves da Gol em outubro foi de 54%, contra uma média de 53% do setor.

? O mercado está em retração. Pensar em market-share agora é buscar prejuízo ? disse um executivo do setor.

O vice-presidente da Gol, Tarcísio Gargioni, diz que a avaliação dos especialistas está equivocada:

? Este ano devemos ter lucro e, apesar do dólar e da alta dos combustíveis, mantivemos os nossos investimentos. Isso é intriga ? afirmou.

No mercado, os rumores são de que a empresa teria colocado à venda 20% do seu capital, em busca de um sócio estratégico. Gargioni nega:

? Não estamos à venda nem descapitalizados. Fomos procurados por investidores estrangeiros e, como em qualquer negócio, avaliamos a proposta ? disse.

Foi uma revolução quando a Gol, comandada por Constantino de Oliveira Jr. (vindo de uma família com negócios no setor de transporte rodoviário), começou a operar. Com preços bem inferiores aos da concorrência, às custas de um serviço de bordo enxuto, a companhia em pouco tempo ficou entre as grandes. No mês passado, abocanhou 13,12% do mercado doméstico, tornando-se a terceira em número de passageiros. O grupo Varig é o primeiro, com 41,26%, seguido pela TAM, com 31,37%.