A General Motors aceitou suspender as 798 demissões anunciadas no dia 8 em São José dos Campos (SP) e colocará esses trabalhadores em lay-off (suspensão dos contratos de trabalho) por cinco meses até o afastamento definitivo. O acordo foi feito ontem, em audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas, entre empresa e Sindicato dos Metalúrgicos de São José.

No período de lay-off, a montadora fará uma série de ações para incentivar a saída desse grupo, como abertura de programa de demissão voluntária (PDV) e incentivo à aposentadoria. Quem ficar no lay-off até o final receberá quatro salários extras e terá de se desligar da empresa. O acordo ainda passará por aprovação dos cerca de 5 mil trabalhadores em assembleia na segunda-feira. Eles estão em greve há duas semanas.

Em nota, a GM declarou que “a decisão é positiva, mas não resolve a situação de competitividade do Complexo de São José dos Campos, visto que a paralisação na fábrica só contribuiu para aprofundar a séria crise que afeta hoje a GM e a indústria automotiva.”

O presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros, lembrou, também em nota, que iniciativas como a desta semana, quando bancos federais anunciaram crédito especial para a indústria automobilística, “não protegem o emprego”. “O que precisamos é de estabilidade, redução da jornada para 36 horas, proibição da remessa de lucros para o exterior e estatização das empresas que demitirem”, disse. Segundo ele, a luta dos metalúrgicos de São José é “exemplo para os trabalhadores de todas as montadoras”.

Cortes na Mercedes

Funcionários da Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo (SP) começaram a receber ontem telegramas de demissão. A empresa não divulga números, mas afirma ter 2 mil trabalhadores excedentes na fábrica, que produz caminhões e ônibus, o equivalente a 20% de seu quadro.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC também não tem dados da abrangência dos cortes. Na segunda-feira, quando 7 mil funcionários que estão em licença remunerada desde o dia 7 retornam à fábrica, a entidade realizará assembleia e pode decretar greve. “Não sabemos a quantidade de demitidos, mas a empresa fala em 2 mil excedentes e será uma tragédia, pois cada emprego na montadora puxa mais quatro na cadeia de fornecimento”, diz Sérgio Nobre, diretor do sindicato. “Vamos lutar para reverter esses cortes”.

Nos telegramas, a empresa informa que o período de licença remunerada será prorrogado até dia 31 para quem está sendo demitido. A efetivação da dispensa será em 1.º de setembro.

No início da semana, empresa e sindicato tentaram um acordo para evitar as demissões, mas não houve consenso. O sindicato aceitava discutir a adoção do Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que prevê redução de jornada e salários em até 30% (sendo que metade do corte é bancada pelo FAT).

A empresa, que opera com 40% de ociosidade, insistiu na necessidade de adotar o PPE em conjunto com medidas de redução de reajustes salariais, proposta recusada pelos trabalhadores no início de julho.

Na terça-feira, haverá audiência no TRT de Campinas para avaliar a greve dos 5 mil funcionários da Volkswagen de Taubaté (SP) contra 50 demissões ocorridas na segunda-feira.