O gestor Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital, alertou autoridades sobre irregularidades no Banco Master anos antes de a instituição ser fechada pelo Banco Central e de seu controlador, Daniel Vorcaro, ser preso em novembro de 2025. Documentos apresentados ao Senado mostram que a Esh Capital protocolou duas denúncias formais ao BC em 2023, mas Timerman afirma que a primeira denúncia foi feita ainda em 2019. As informações são da Gazeta do Povo.
Timerman construiu carreira como investidor ativista, comprando participações em empresas e pressionando administrações. Ele se autodenomina defensor de acionistas minoritários e ficou conhecido na Faria Lima por seu comportamento pouco convencional, questionando decisões de controladores e denunciando o que considerava irregularidades a órgãos de fiscalização.
Engenheiro eletricista formado pela USP, Timerman passou por instituições como Itaú BBA e Hedging-Griffo antes de fundar a Esh Capital em 2015. A gestora se especializou em situações especiais, buscando oportunidades em problemas societários e distorções de preços. Em 2021, um dos fundos da empresa registrou retorno superior a 100%.
As denúncias contra o Master protocoladas em 2023 questionavam o suposto controle indireto do banco por meio de estruturas que passariam por uma empresa nas Bahamas, um fundo e uma companhia chamada Banvox. A segunda denúncia tratava da exposição de fundos a precatórios e de problemas na precificação desses ativos.
Em depoimento à CPI do Crime Organizado em março deste ano, Timerman afirmou que insistiu diversas vezes para que as autoridades investigassem os fatos denunciados. Ele sustentou que o empresário Nelson Tanure estaria entre os verdadeiros controladores do Master. A defesa de Tanure nega qualquer relação societária com o banco e afirma que ele foi apenas cliente da instituição.
Documentos da investigação da Polícia Federal tornados públicos recentemente registraram conversas nas quais Vorcaro e pessoas próximas discutiam medidas contra o gestor. O material inclui uma conversa em que o ex-dono do Master teria pedido que fosse dada “carga total” contra Timerman. Desde então, o gestor anda acompanhado de segurança particular e pediu proteção ao STF.
A atuação de Timerman lhe rendeu uma série de processos judiciais. Em 2023, Tanure acionou o gestor na Justiça alegando perseguição nas redes sociais, processo que resultou em condenação. Timerman recorre da decisão. Em abril deste ano, ele afirmou estar quebrado, atribuindo a situação ao bloqueio judicial de fundos da Esh Capital.
A Gazeta do Povo tentou contato com Vladimir Timerman por meio da assessoria de imprensa da Esh Capital, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
