O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, afirmou que a proposta do governo para cobrar uma tarifa dos bancos durante os próximos dez anos pode ser prorrogada até que o custo do resgate do sistema financeiro para os contribuintes seja zero. A tarifa, prevista no plano do orçamento para o ano fiscal 2011 e antecipada pelo presidente do país, Barack Obama, há algumas semanas, tem como objetivo arrecadar US$ 90 bilhões dos bancos ao longo da próxima década e reduzir as perdas do governo com o auxílio oferecido às instituições financeiras durante o período mais turbulento da crise.
“A taxa (sobre os bancos) pode ser e será prorrogada até que cada centavo dos contribuintes utilizado no auxílio ao sistema financeiro seja devolvido e o custo desse resgate torne-se zero”, disse Geithner em um discurso preparado durante uma audiência com o Comitê de Finanças do Senado. Obama defendeu a criação da tarifa para os bancos durante o discurso do Estado da União, na semana passada. Ele afirmou que as instituições financeiras precisam ressarcir os contribuintes pelo resgate oferecido ao setor.
Durante a audiência, Geithner afirmou também que os EUA estão comprometidos com a redução do déficit orçamentário, mas alertou que não é possível realizar cortes profundos e imediatos no orçamento porque isso poderia prejudicar a recuperação da economia. Segundo ele, o orçamento da Casa Branca concentra-se na criação de postos de trabalho. Embora o governo estime que o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA crescerá 2,7% em 2010, o plano do orçamento aponta que essa expansão provavelmente não será suficiente para evitar que o nível de desemprego continue elevado no país por mais alguns anos.
“Este orçamento foi desenhado de forma a criar condições para que o setor privado cresça e as empresas, pequenas e grandes, possam criar novos empregos”, disse Geithner. “Para isso, precisamos de uma reforma financeira séria.” Geithner disse que as mudanças nos setores de saúde e educação, assim como o aumento nos investimentos em pesquisas, são necessários para o crescimento futuro. “O mercado não pode resolver sozinho estes desafios. O governo precisa abordar estas questões para proporcionar as bases de um setor privado dinâmico e forte”, acrescentou.
Ele também destacou a necessidade de os formuladores de políticas lidarem com a posição fiscal do país no longo prazo. “Esta será uma tarefa difícil. Vai exigir escolhas duras e politicamente impopulares em alguns momentos”, afirmou Geithner.