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Torre danificada por ladrões,
que levaram os cabos.

De olho numa fonte de lucro aparentemente fácil, criminosos de todo o País deixam a cada ano milhares de brasileiros no escuro. Só nos últimos três anos, o furto de cabos e equipamentos da rede elétrica resultou num prejuízo de R$ 15 milhões para o País, de acordo com dados da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee).

Segundo o presidente da Abradee, Luiz Carlos Guimarães, antigamente os furtos concentravam-se em áreas rurais, mas hoje acontecem nas cidades e até em vias de grande movimento. "As empresas com o maior número de ocorrências são a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), as Centrais Elétricas Mato-grossenses S.A. (Cemat) e a Companhia Energética do Ceará (Coelce)", resume Guimarães.

Em 2003, a Abradee registrou mais de 6,5 mil ocorrências, que envolveram o roubo de 7.756 km de condutores metálicos e 1.234 equipamentos de diversos tipos. O custo de reposição desses equipamentos foi de R$ 2.773 e os cabos que tiveram de ser repostos em decorrência da ação dos ladrões seriam suficientes para conectar Curitiba a Brasília.

De maneira geral, o perfil do autor desse tipo de furto é – segundo os registros policiais – o de uma pessoa pobre e desempregada. Mas, em muitos casos, os criminosos costumam agir com a colaboração de técnicos dotados de algum conhecimento dos riscos relacionados às redes de média e alta tensão. O material furtado, geralmente cabos e equipamentos com enrolamento de cobre, é vendido a ferros-velhos. Além de receber muito pouco pelo material, o ladrão coloca em risco a própria vida e a de milhares de pessoas que dependem de serviços públicos essenciais, como o atendimento médico oferecido pelos hospitais, por exemplo. Indiretamente, esses furtos acabam prejudicando todos os consumidores de energia elétrica, na medida em que as perdas são diluídas nas contas de luz.

Para discutir o tema, a Companhia Paranaense de Energia (Copel), em parceria com a Abradee, realizou, no mês de novembro, em Curitiba, um workshop sobre furtos e fraudes de energia e roubo de condutores e equipamentos. Entre as várias ações destinadas a diminuir o prejuízo das companhias, uma foi anunciada pelo secretário de Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari: a criação de uma delegacia especializada com atuação em Curitiba e a Região Metropolitana. "Essa delegacia é necessária. Em 2005, ela já deve estar funcionando", disse Delazari.

As empresas do Grupo Eletrobras também sofrem com o furto de cabos e equipamentos. Furnas, por exemplo, realizou no início deste ano uma campanha com panfletos, cartazes e outdoors incentivando a população a procurar a polícia e a denunciar os ladrões. Simultaneamente, a empresa também alertou sobre os riscos que esse tipo de crime acarreta: ao tentar levar cabos utilizados nas redes de alta tensão, as pessoas podem morrer eletrocutadas. Há, ainda, o perigo de quedas, já que a altura das torres de transmissão varia entre dez e 40 metros.

Na área de atuação de Furnas, os furtos aconteceram, principalmente, nos municípios próximos à Subestação de Ibiúna (SP). Em Votorantim (SP), foram furtados 850 metros de cabos de alumínio, num total de 1.785 quilos. Já em Araçoiaba da Serra, também no Estado de São Paulo, quase três mil metros de cabos foram arrancados.

"A nossa preocupação é com a segurança das pessoas e dos animais que vivem próximos aos locais dos furtos, pois os ladrões abandonam no chão linhas de aterramento pelas quais passam altíssimas correntes elétricas", esclarece o diretor de Produção e Comercialização de Energia Elétrica de Furnas, Fábio Machado Resende. "Paralelamente, os técnicos estão estudando a implantação de novos dispositivos para mitigar os perigos para as pessoas e as perdas para o sistema elétrico brasileiro."

A preocupação das companhias com os acidentes que podem ser causados pelo furto de cabos vai além das esferas financeira e social. "Se algo desse tipo (um acidente) acontece e traz algum dano ou prejuízo mais grave, evidentemente a imagem da empresa é que fica prejudicada perante a sociedade, uma vez que é de responsabilidade da empresa concessionária o fornecimento de energia com qualidade", explica Resende, de Furnas.

A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), outra controlada da Eletrobras, iniciou patrulhamentos nos locais considerados críticos ou potencialmente sujeitos a roubos. A empresa também estabeleceu um canal de comunicação com as polícias Civil e Federal para abastecê-las de informações que auxiliem nas investigações e no patrulhamento preventivo.

Em 2003, a Chesf registrou 35 casos de furto, que resultaram na perda de 20 quilômetros de cabo de alumínio (26 toneladas) e num custo de R$ 720 mil para recuperação das linhas. Somados os números do ano passado e de 2004, o total de condutores metálicos levados por criminosos na área de atuação da Chesf chega a 77 quilômetros, o equivalente a um prejuízo de R$ 385 mil, levando-se em conta apenas o custo do material furtado. "Para repor essa perda, a nossa empresa já gastou, entre material e serviços, mais de R$ 1 milhão" informa a superintendente de Manutenção da Chesf, Maria de Pompéia Lins Pessoa.