A sangria de recursos dos fundos de investimento, que começou no mês de junho, se acentuou em julho e permanece elevada nos primeiros cinco dias de agosto. De acordo com dados do Banco Central, até o dia 5, os fundos de investimento de financeiro (FIFs) perderam R$ 5,687 bilhões enquanto a poupança acumulou, do dia 1º ao dia 7, uma captação positiva de R$ 2,387 bilhões.

O motivo, de acordo com especialistas, é o temor de novas perdas. Os aplicadores ficaram mais do que cautelosos, depois do susto que a marcação dos papéis pelo seu valor de mercado trouxe aos investidores no final de maio, quando muitos tiveram a desagradável surpresa de descobrir a diminuição do valor da cota e a perda da rentabilidade que, em muitos casos, atingiu até uma pequena parte do patrimônio.

?Muitos descobriram que renda fixa não é tão fixa assim e que os títulos do Tesouro Nacional, uma aplicação tida como mais do que segura, também sofre volatilidade?, disse uma fonte.

Especialistas do mercado financeiro atribuem em grande parte à insegurança atual o fato de os investidores estarem deixando os fundos e migrando para a poupança, que vem se mantendo com rentabilidade pequena. Enquanto os FIFs acumulam uma perda de R$ 32,861 bilhões desde o mês de junho, a poupança acumulou, a partir de maio, uma captação líquida positiva de R$ 13,924 bilhões.

O patrimônio líquidos dos FIFs, segundo o BC, caiu de R$ 334,603 bilhões em abril para R$ 301,742 bilhões em 5 de agosto. No mesmo período, o saldo total de todas as contas de poupança subiu de R$ 119,626 bilhões em maio para R$ 133,016 bilhões em 7 de agosto. Por isso é que, na opinião de especialistas, não basta o investidor saber se o fundo em que ele está aplicando é agressivo ou moderado. É preciso conhecer o perfil dos papéis e o tipo das ações, se for esse o caso.

Mesmo com a retirada de um porcentual considerável de recursos, os especialistas do mercado financeiro não acreditam no saque em massa do dinheiro dos fundos.

?O saque está sendo feito por pequenos e médios investidores que perderam recurso, viram uma pequena recuperação e agora não querem correr mais riscos?, garantem. Na hipótese de retirada em massa dos recursos dos fundos, quem ia se ver em dificuldade seria o governo, que não teria aonde colocar seus títulos.