O Banco Central do Brasil cortou as taxas de juros como decorrência das preocupações com o fraco crescimento econômico, diz o jornal britânico Financial Times em sua edição de hoje. Ontem à noite, o Copom anunciou redução de 0,75 ponto porcentual da Selic, para 9,75%, já na casa de um dígito. A decisão vem após o compromisso da presidente Dilma Rousseff e de outros membros do governo de tomar medidas para estimular a economia, afirma o site do FT.

A publicação lembra que o PIB brasileiro subiu 2,7% em 2011, apenas um terço do avanço registrado no ano anterior e o segundo mais baixo desde 2003. A produção industrial caiu 2,1% em janeiro, na comparação com dezembro, e 3,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

O jornal britânico, que apontou recentemente a “nova guerra cambial” declarada pelo governo, faz ligação apenas indireta entre a redução mais forte da Selic e a valorização do real. “A fraqueza (da economia) vem da forte taxa de câmbio, que encoraja uma enxurrada de importações baratas, minando a indústria doméstica, assim como da inflação elevada e dos efeitos da crise da zona do euro”, avalia o FT.

O jornal diz que o governo já havia advertido que usaria a piora da economia mundial para trazer a taxa de juro para a marca de um dígito. O FT também afirma que a presidente e o Partido dos Trabalhadores (PT) estão na briga pelas eleições municipais neste ano e provavelmente verão os dados da atividade econômica como “motivo para tomar mais medidas para proteger a economia do capital especulativo e das importações”.