Muitos conhecem fraudes bancárias mais comumente praticadas através da adulteração de talões de cheques. Porém, o que ainda não se sabe é que as fraudes bancárias ainda possuem adulterações manuais de códigos de segurança, impressão de talonários, entre outros. A nova arma dos estelionatários são fraudes envolvendo boletos bancários. A Kroll, empresa multinacional de consultoria em gerenciamento de riscos, tem trabalhado em esquemas como esses há vários anos, inclusive no exterior. Um dos Diretores da Kroll em Miami participou do esforço de captura a Frank W. Abnagale Jr, cujas fraudes foram relatadas no filme “Agarre-me se Puder”.

As fraudes bancárias hoje possuem uma nova ordem: a adulteração dos códigos de barras em boletos bancários, que desviam o montante para conta de terceiros sem causar qualquer desconfiança por parte dos caixas das agências. “As empresas de telefonia, energia e correios tem sido o grande alvo dessas fraudes, que chegam a ter prejuízo estimado de cerca de R$ 200 mil”, afirma Eduardo Gomide, Diretor de Serviços Financeiros da Kroll.

As quadrilhas utilizam guias com seus códigos de barras adulterados e com o campo do favorecido indicando uma conta fantasma. Por vezes as adulterações das guias são muito bem feitas. Noutras uma análise superficial revela que aquele boleto de pagamento foi confeccionado a partir de uma simples impressora a jato de tinta.

No procedimento mais rudimentar, e que vem sendo identificado com uma freqüência surpreendente, os boletos são confeccionados em papel sulfite em uma impressora comum. Os códigos de barras são adulterados no intuito de obrigar o caixa bancário a digitar os algarismos acima do código. Estes algarismos são uma alteração dos originais e acabam por indicar uma conta bancária favorecida distinta. Assim, os valores que deveriam ser creditados em uma concessionária de serviços acabam sendo desviados para um correntista fantasma.

Embora as movimentações superiores a R$10 mil sejam monitoradas pelos bancos, da mesma forma, saques no caixa em valores altos são de difícil operacionalização. A forma encontrada pelos fraudadores para fugir da fiscalização e ao mesmo tempo sacar estes recursos obedece à mesma lógica. Os estelionatários emitem novos boletos de pagamento em nome de empresas fantasmas e operacionalizam uma série de novos pagamentos, em valores menores, para contas aparentemente abertas de forma legítima. Esta fase busca ocultar as origens dos recursos e envolve procedimentos clássicos de lavagem de dinheiro, como estratificação e recolocação dos ativos financeiros no mercado.

No Brasil, como isso ainda não é muito conhecido pelo mercado e como as empresas de serviços públicos são as maiores vítimas, alguns cuidados que devem ser adotados são:

– evitar centralizar todos os pagamentos em um único office boy;

– evitar emitir um cheque para pagamento de vários boletos, sendo que todos os cheques devem ser nominais e no valor individual da fatura;

– adotar extrema cautela na contratação de empresas courrier e/ou motoboys;

– averiguar toda a correspondência e centralizá-la em um único funcionário.

Estes cuidados minimizam os riscos e, aliados a uma auditoria de fraude, podem impedir que recursos importantes sejam perdidos.