Rio – Em sua primeira crítica pública à política econômica desde que deixou o governo, após o período de transição para o governo Lula, o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, considerou frágil a posição do Brasil na relação da dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB). Fraga disse que mesmo com as reformas da Previdência adotadas pelo governo, o cenário das despesas públicas nesse setor é o mais preocupante. “Isso é uma fragilidade (do País). Temos de ter consciência disso, não dá para brincar com isso”, afirmou, referindo-se ao patamar em torno de 57% da relação dívida/PIB. A alta carga tributária do País também foi criticada pelo economista. “Este é um dos fatores que torna nosso grau de informalidade (no campo do emprego) tão elevado”, declarou. No caso específico de energia, avaliou, “há um abismo potencial, que pode surgir nos próximos anos”. Para Fraga, a construção de regras claras seria a constatação de que a União não tem mais condições de investir nestes segmentos. Portanto, o mais inteligente é o governo tornar o cenário mais favorável para o investimento privado. “Falando francamente, o governo quebrou e não tem mais condição de investir”, reiterou.