O fracasso de mais uma tentativa do Banco Central para rolar contratos de “swap” cambial que vencem amanhã levou o dólar a fechar em alta de 1,1%, a R$ 3,205 para venda e R$ 3,200 para compra. Na máxima, a moeda chegou a R$ 3,23. De cerca de US$ 2,5 bilhões em “swaps” que vencem amanhã, o BC rolou apenas US$ 1,56 bilhão. As instituições que têm esses títulos em mãos forçaram a alta, já que o valor que receberão dependerá do valor da Ptax (cotação média compilada pelo BC entre diferentes instituições no fim do dia) de hoje.
O BC poderá ainda rolar amanhã os cerca de US$ 940 milhões que faltam, embora na operação de hoje só tenha conseguido rolar apenas US$ 25 milhões. O fracasso da rolagem ofuscou algumas boas notícias do dia, como o anúncio de que o BNDES deverá liberar na próxima semana cerca de US$ 1 bilhão para financiar as exportações, ocorrido no início da tarde. O mercado ainda aguarda detalhes sobre linhas semelhantes do Banco Central.
Além disso, o C-Bond, principal título da dívida brasileira negociado no exterior, sobe 2,54% para 52,938% do valor de face. Com isso, o risco Brasil, que opera sobre os títulos, cai 4,7% para 2.176 pontos. O mercado acredita que o governo brasileiro esteja recomprando esses títulos, por meio de algumas instituições credenciadas, aproveitando-se do baixo preço. Assim, o governo consegue resgatá-los pagando menos e ao mesmo tempo, alavancar o preço dos papéis que sobram no mercado, reduzindo seus juros e o risco.
Ontem, em uma teleconferência promovida pela BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), o diretor de política econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que o governo poderá ampliar o limite de US$ 3 bilhões acertado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para recompra de títulos da dívida externa, dos quais restam apenas US$ 700 milhões.
Ao contrário do que aconteceu ontem, o BC interveio hoje no câmbio vendendo dólares no mercado à vista, embora não tenha conseguido segurar a cotação. Operadores afirmaram que a atuação ocorreu ainda pela manhã. (Correio Web/FolhaNews)


