Os fabricantes de máquinas e equipamentos elétricos instalados no Brasil estão preocupados com a escolha dos fornecedores para a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA). Eles temem que a maioria das turbinas necessárias para pôr a usina em operação seja comprada no exterior, especialmente na China. “Isso seria um grande prejuízo para o setor, que esperava criar 10 mil empregos com a produção dos equipamentos no mercado interno”, afirma o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso Dias.

Segundo ele, um grupo de empresas havia fechado acordo com o consórcio da Odebrecht e da Camargo Corrêa, que desistiu da disputa antes do leilão. Uma outra turma era parceira da Andrade Gutierrez, que perdeu o certame para o consórcio Norte Energia. “Nesses casos, os equipamentos já estavam cotados. Já havia uma conversa em andamento. Com o grupo vencedor, até agora não houve aproximação”, disse o executivo da Abimaq, que representa os maiores fabricantes de máquinas e equipamentos do País.

Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo e a maior em construção no País. Exigirá a fabricação de 20 turbinas de 550 megawatts (MW) e 9 de 25,9 MW de potência – a usina de Itaipu, a maior do Brasil, tem 20 turbinas de 700 MW cada. Segundo informações que circulam no setor, uma das candidatas a fabricar parte dos equipamentos é a argentina Impsa, que está a todo vapor no Brasil no segmento de energia eólica. Mas, para chegar ao preço ofertado no leilão, não está descartada a compra de equipamentos chineses, cujo custo é bem mais baixo por causa da mão de obra e também do câmbio, afirmam fontes.

Na construção das hidrelétricas do Rio Madeira, Santo Antônio e Jirau, as fabricantes Alstom e Bardella construíram fábricas em Rondônia para atender a demanda dos consórcios vencedores. Uma das estratégias das empresas era aproveitar a planta industrial para fornecer equipamentos também para Belo Monte, que será instalada em local de difícil acesso.