O Ford Ka foi o carro mais roubado e furtado no Brasil no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Loovi Seguros. A lista dos dez modelos mais visados por criminosos é composta principalmente por carros populares: Chevrolet Onix, Volkswagen Gol, Hyundai HB20, Renault Sandero, Fiat Argo, Renault Logan, Fiat Uno, Fiat Palio e Volkswagen Voyage. As informações são da Gazeta do Povo.
Os criminosos escolhem esses modelos por razões econômicas. A grande quantidade desses veículos em circulação aumenta a demanda por peças de reposição, o que torna os carros mais atrativos para quadrilhas especializadas em desmanche e comércio ilegal de autopeças. Veículos mais antigos ou descontinuados, como o Ford Ka, também despertam interesse pela procura por peças. Com o fim da produção nacional da Ford, o comércio paralelo de autopeças passou a ter uma oportunidade adicional de exploração desse mercado.
Apesar da concentração de casos em alguns estados, o número de furtos e roubos de veículos caiu nacionalmente. Em 2025, foram registrados 10,7% menos casos do que em 2024, quando foram contabilizadas 345.503 ocorrências, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. São Paulo lidera em números absolutos, com 112.358 registros em 2025. Quando se considera a quantidade de veículos em circulação, o Rio de Janeiro apresenta a maior taxa, com 516,8 casos por 100 mil veículos.
Os dados mostram uma mudança no tipo de crime praticado. Enquanto a taxa de roubos, que envolvem violência ou grave ameaça, recuou 20,6% em 2025, os furtos tiveram redução de 10,6%. Com isso, o furto passou a representar a maior parte das ocorrências: foram 203.949 casos, contra 104.491 roubos. No roubo, o criminoso precisa abordar a vítima e utilizar violência ou ameaça. No furto, o veículo pode ser levado sem que o proprietário esteja presente.
Segundo o FBSP, o avanço de câmeras de monitoramento, o policiamento ostensivo e as tecnologias forenses aumentam o risco de identificação e prisão em flagrante nos roubos. Nesse cenário, os furtos de veículos estacionados podem representar uma alternativa menos arriscada para os criminosos.
A existência de uma rede capaz de absorver as peças e veículos roubados ou furtados é um dos fatores que permite que o crime continue sendo lucrativo. A aprovação da Lei dos Desmanches em São Paulo em 2014, seguida da Lei Federal, contribuiu para o fechamento de milhares de estabelecimentos clandestinos físicos e foi determinante para iniciar o decréscimo das taxas.
O avanço do comércio eletrônico, porém, criou um novo desafio para a fiscalização. Peças podem ser anunciadas e comercializadas em sites de vendas e redes sociais, tornando mais difícil aplicar ao ambiente digital os mesmos mecanismos utilizados para fiscalizar estabelecimentos físicos. O FBSP alerta que, sem um monitoramento digital ativo, o avanço tecnológico pode enfraquecer parte dos resultados obtidos com a fiscalização tradicional dos desmanches.
