Uma força-tarefa formada por políticos, autoridades e entidades representativas do setor leiteiro do Rio Grande do Sul vai a Brasília nesta terça-feira, 10, reivindicar apoio ao segmento, fortemente afetado pelos escândalos decorrentes da operação Leite Compen$ado, que investiga casos de fraude envolvendo o produto no Estado. A delegação, liderada pelo Instituto Gaúcho do Leite (IGL), é formada por representantes das secretarias da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, por deputados federais e estaduais, pela senadora Ana Amélia Lemos (PP), por prefeitos das cidades mais atingidas pela crise, por entidades como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag) e também por lideranças de cooperativas e produtores rurais.

Pela manhã, o grupo se reunirá com interlocutores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e Desenvolvimento Social. A delegação gaúcha apresentará proposta para sejam adquiridas 4 mil toneladas de leite em pó de indústrias e cooperativas do RS, para uso em programas sociais coordenados pelo governado federal.

De acordo com o presidente do IGL, Gilberto Piccinini, o objetivo é diminuir o volume do produto estocado no Rio Grande do Sul para que as maiores empresas do segmento voltem a comprar matéria-prima. “Hoje elas estão adquirindo, mas em bem menor volume.” Segundo ele, a redução na demanda de leite – agravada pelo efeito sazonal do verão – prejudica especialmente cooperativas de produtores da região noroeste do Estado, que vendem leite no mercado spot para os grandes processadores.

Na tarde de terça-feira, 10, o encontro é com a ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB), e com a secretária de Relações Internacionais do Mapa, Tatiana Lipovetskaia Palermo. A pauta será o credenciamento das plantas industriais de leite em pó das cooperativas CCGL, Cosuel e Cosulati. Atualmente, de acordo com o IGL, somente a planta de Teutônia da BRFoods está habilitada no Estado. O credenciamento de outras unidades permitira que o RS aproveitasse o momento de intensa demanda internacional pelo produto, principalmente por parte da Rússia – por conta do conflito entre os russos e os ucranianos, tradicionais fornecedores do produto. “A guerra abriu essa oportunidade de mercado para o Brasil com exigências sanitárias mais flexíveis”, pondera o presidente do IGL.

Segundo o diretor-executivo do IGL, Ardêmio Heineck, os dois temas que serão discutidos em Brasília já vêm sendo tratados tecnicamente desde outubro de 2014. No entanto, a situação de crise da cadeia leiteira demanda resultados imediatos para minimizar os efeitos negativos.