Mesmo após o diretor de Política Monetária, Aldo Mendes, se pronunciar sobre a taxa de câmbio, avaliando que a cotação do dólar estava muito acima do que apontavam os fundamentos brasileiros, e de uma intervenção maior no mercado, com a volta da rolagem integral dos contratos de swap cambial, o Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, 10, pelo Banco Central trouxe um aumento nas projeções para a taxa de câmbio pela terceira semana consecutiva. O documento mostra que a mediana das estimativas para o câmbio em 2015 passou de R$ 3,35 para R$ 3,40. Há quatro semanas, o ponto central da pesquisa estava em R$ 3,23.

Com isso, a cotação média ao longo do ano sofreu alteração na pesquisa Focus, passando de R$ 3,18 para R$ 3,20. Quatro semanas atrás, estava em R$ 3,09. Para o próximo ano, a mediana para o câmbio ao final do período subiu pela segunda semana seguida, passando de R$ 3,49 para R$ 3,50 – há quatro edições do Focus a taxa era de R$ 3,40. No caso da cotação média de 2016, também houve mudanças, passando de R$ 3,38 para R$ 3,44.

Selic

Sem demonstrarem ter um teto, as previsões do mercado financeiro para os preços administrados ou monitorados pelo governo deste ano não param de subir. Para 2015, as projeções revelam que a mediana passou de 15,12% da semana passada para 15,14% agora. Um mês atrás, a pesquisa apontava taxa de 14,90% para esse conjunto de itens. Para 2016, a expectativa no boletim apresentada hoje mostrou leve alívio, de 6,00% para 5,90%. Quatro semanas atrás essa projeção era de 5,96%.

Essas projeções são mais pessimistas do que as do Banco Central. Segundo a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na quinta-feira, 6, o BC estima uma variação de 14,8% em 2015 ante 12,7% da reunião do Copom de junho. Para 2016, as previsões da autoridade monetária passaram de 5,3% para 5,7% no mesmo período.

A piora da expectativa do BC considerou em suas análises, a hipótese de variação de 9,2% o preço da gasolina e de 4,6% no de gás de botijão. No caso das tarifas de telefonia fixa, o colegiado prevê uma retração de 3%, mas uma alta de 50,9% no da energia elétrica.

Selic

Depois da divulgação da ata do Copom, as expectativas do mercado financeiro para a taxa básica de juros praticamente ficaram inalteradas em todos os horizontes. A previsão do Focus é de que a Selic chegue ao final deste ano em 14,25% ao ano foi mantida. Esta é a mesma previsão da semana anterior e também o nível em que já se encontra hoje depois que o Copom elevou a Selic há cerca de 10 dias. Para 2016, a previsão está estacionada em 12% ao ano há três semanas.

A Selic média de 2015 também se manteve inalterada entre uma semana e outra, em 13,63%. Já a para 2016 subiu de 13,13% para 13,16% ao ano agora, o que pode ser um sinal de que, para alguns participantes da pesquisa Focus ainda há chance de mais uma alta no ano que vem – ou, pelo menos, uma diminuição das previsões de baixa.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, não houve mudanças para este ano: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25%. Já para 2016, a mediana das previsões passou de 11,88% ao ano para 12,13% ao ano, o que denota uma divisão de opinião entre os componentes desse grupo entre um encerramento em 12,00% ou 12,25% no fechamento de 2016.