O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou que o horizonte de convergência da inflação para o centro da meta – estipulado pelo governo em 4,5% ao ano – é de dois anos, ou seja, até o final de 2016. Se confirmado esse cenário, o BC só conseguirá trazer a inflação para a meta na segunda metade do segundo governo de Dilma Rousseff. A inflação oficial, medida pelo IPCA, fechou novembro em 6,56%, na leitura em doze meses.

“Embora o esforço ora empreendido pelo Banco Central tenha como foco a trajetória da inflação nos próximos dois anos, não se pode perder de vista que os ganhos decorrentes da esperada convergência da inflação para a trajetória de metas, como disse, em 2016, estender-se-ão por vários anos, podendo, inclusive, ter caráter de permanência”, voltou a afirmar Tombini aos senadores presentes na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

É a mesma análise que fez na semana passada, quando participou de outra audiência pública no Congresso Nacional. Para o presidente do BC, houve uma intensificação dos “realinhamentos” dos preços domésticos em relação aos internacionais.

Ele se refere à depreciação do real nos últimos dias e ao ajuste dos preços administrados em relação aos preços livres. Tombini afirmou que são esses fatores que vão fazer com que a inflação acumulada em doze meses permaneça elevada antes de retomar a trajetória de convergência para a meta.

Aposta do BC

O BC aposta em uma “política fiscal contida” da próxima equipe econômica de Dilma Rousseff como uma das “forças auxiliares” para fazer com que a inflação desacelere e volte à meta até o final de 2016. A indicação de que precisa do apoio do futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para a contenção dos gastos públicos, como contribuição para arrefecer a inflação, foi dada pelo presidente do BC na CAE.

O BC conta de antemão com a indicação de que Levy fará ajustes em relação à política fiscal no sentido de torná-la mais restritiva, de acordo com as últimas exposições políticas de Tombini. “Essa força preponderante tende a ser complementada por forças auxiliares, como uma política fiscal contida e iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito”, repetiu Tombini hoje.

Além dessa força, Tombini diz que a inflação voltará à trajetória do centro da meta por causa dos efeitos cumulativos e defasados das últimas altas da taxa básica de juros, atualmente em 11,75% ao ano. A inflação acumulada em 12 meses, medida pelo IPCA, fechou novembro em 6,56% – o centro da meta estipulado pelo governo é de 4,5% ao ano.

Expansão do crédito

As falas do presidente do BC, a respeito da atividade doméstica foram as mesmas apresentadas na semana passada, também em audiência no Congresso Nacional. Tombini afirmou que espera um ritmo de recuperação gradual ao longo de 2015, com melhora progressiva dos níveis de confiança dos consumidores e empresários.

“A despeito do baixo crescimento do produto esperado para 2014, a perspectiva é de mudanças favoráveis na composição da demanda e da oferta agregadas. O consumo tende a continuar em expansão, embora em menor ritmo do que o observado em anos recentes, em resposta a estímulos como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito”, disse. O presidente do BC afirmou, ainda, que os investimentos devem ganhar impulso, como resposta da recuperação da confiança, do impacto das concessões e ampliação das áreas de exploração de petróleo.

Tombini voltou a dizer, ainda, que o cenário de maior crescimento global, combinado com a depreciação do real, deverá impulsionar as exportações do país. “Relativamente à oferta, emergem condições mais favoráveis à competitividade da indústria e da agropecuária, enquanto o setor de serviços tende a apresentar menores taxas de crescimento, após longo período de expressiva expansão”, disse.

O presidente do BC afirmou que esses fatores, associados à melhoria da qualificação da mão-de-obra, serão benéficos para o crescimento nos próximos anos. Ele apresentou novamente a avaliação de que a taxa de desemprego encontra-se em níveis historicamente baixos, sinalizando que País está próximo ao pleno emprego. Destacou, ainda, que políticas públicas de aumento do acesso à educação e de qualificação de mão de obra são fundamentais.