Em relatório sobre o Brasil divulgado hoje, o Fundo Monetário Internacional (FMI) ressalta os avanços feitos pelo País na última década, mas alerta para necessidade de avançar em reformas e de continuar a enfrentar pressões de curto prazo. O Fundo ressalta também que o Brasil continua mostrando sinais de superaquecimento. “Por conseguinte, destacou-se a importância de continuar a calibrar a combinação de políticas para enfrentar uma série de pressões macroeconômicas de curto prazo.”

De acordo com documento da diretoria do Fundo, a ascensão do Brasil como um dos principais “atores” do cenário global se deve ao “sólido arcabouço de política econômica e ao compromisso sustentado com o controle da inflação e dos níveis de dívida pública, a economia tornou-se mais resistente a choques externos”. O FMI destaca ainda que a economia brasileira teve recuperação vigorosa da crise, crescendo 7,5% em 2010, e que hoje deve estar, segundo estimativas, com seu Produto Interno Bruto (PIB) acima do potencial.

No entanto, o FMI ressalta que a força da demanda interna, o aperto nas condições do mercado de trabalho e choques nos preços de produtos básicos impulsionaram a inflação. Nesse aspecto, o documento lembra que o Banco Central (BC) tem adotado política de aperto monetário para conter o avanço dos preços, enquanto o governo tem tomado medidas.

O FMI mostra preocupação com a expansão do crédito, que apesar das medidas macroprudenciais adotadas pelo governo ainda se mostra forte. Segundo o documento, como porcentagem do PIB, o crédito saltou de 20% em 2004 para 46% em 2010 e o crédito bancário ao setor privado cresceu 20% em abril de 2011. “O Brasil continua a ser um dos destinos prediletos dos investidores internacionais, um reflexo de suas perspectivas econômicas favoráveis e rendimentos elevados”, avalia o Fundo.

Outra ponto apontado pelo FMI é o intenso fluxo de capital no País, que chegou a US$ 52,6 bilhões no fim de abril, quase o dobro do registrado no mesmo período de 2010, levando o BC a manter intervenções no mercado de câmbio, com a compra de cerca de US$ 37 bilhões no mercado à vista no primeiro semestre de 2011. Desse modo, as reservas brasileiras somam atualmente ao redor de US$ 335 bilhões, a sexta maior posição do mundo. “As diversas medidas implementadas pelas autoridades para administrar o fluxo de capitais têm pouco a surtido algum efeito em moderar o estímulo à entrada de recursos”, analisa o Fundo no relatório.