Arquivo / O Estado

Florestas plantadas são alternativas
de renda ao produtor rural.

Quando se fala em agronegócio, logo vêm à mente a produção e exportação de grãos, como soja e milho, ou ainda a pecuária de corte. Embora sejam atividades expressivas no Estado, há outra tão importante quanto: a silvicultura, ou, em outras palavras, o plantio de florestas. Conforme a pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura do IBGE, de 2003, o Paraná é um dos maiores produtores nacionais de madeira em tora. Do total produzido pelo País naquele ano (99.697.483 metros cúbicos), quase um quinto (ou 20.088.607 metros cúbicos) saiu do Paraná.

Além disso, o complexo florestas ocupou no ano passado a segunda posição no ranking de exportações do Estado. ?O complexo florestal só fica atrás do complexo soja no ranking do agronegócio estadual, além de ter grande destaque na exportação para os Estados Unidos, Comunidade Européia, Oriente Médio, Ásia e Norte da África?, destacou o presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE), Roberto Gava. Em 2004, conforme a APRE, o complexo florestal exportou US$ 1,04 bilhão, atrás da soja, que respondeu por US$ 2,9 bilhões.

?O desafio é manter a posição do Paraná como grande produtor de madeira e aproveitar esta atividade para gerar empregos primários de que o Paraná e o Brasil tanto precisam?, destacou Gava. Segundo ele, na silvicultura, a cada R$ 6 mil em investimentos um emprego direto é criado, enquanto em empresas de grande porte é necessário fazer um investimento muito maior para a geração do mesmo número de empregos. No Paraná, a silvicultura emprega cerca de 150 mil pessoas.

Do total de madeira produzida no Paraná em 2003, segundo o IBGE, quase 7,4 milhões de metros cúbicos foram utilizados na fabricação de papel e celulose e 12,6 milhões tiveram outras finalidades, como produção de chapas e painéis de madeira para o setor moveleiro; madeira serrada para a construção e ainda a madeira como fonte de energia. No Paraná, os destaques na produção de madeira foram os municípios de Telêmaco Borba (1. 074.655 m³), Tibagi (1.063.147 m³) e Lapa (558.000 m³).

?Cometemos muitos erros no passado, como vários outros setores, mas nos últimos dez anos a silvicultura tem sido exemplar?, apontou Gava. Atualmente, a silvicultura ocupa uma área de 560 mil hectares no Paraná, o que corresponde a apenas 2,8% do total da área do Estado – bem abaixo das áreas ocupadas pela soja, por exemplo (16%) e milho (14%). Da produção total de madeira do Paraná, quase 40% fica no mercado interno, segundo Gava. ?O Paraná é o único do País que produz papel imprensa, é o segundo na produção de papel para embalagem e o primeiro na produção de chapas de madeira?, destacou Gava. ?Palmas, por exemplo, é capital brasileira do compensado.?

O Paraná possui 5.212 empresas que consomem produtos gerados a partir da floresta plantada. A APRE, uma das entidades responsáveis por manter o desenvolvimento da silvicultura no Estado, reúne cerca de 40 empresas ligadas ao plantio florestal, das 60 existentes no Estado.

Setor reclama que portaria 191 trouxe prejuízos

A silvicultura, no entanto, não concentra apenas dados positivos. Em setembro do ano passado, a Portaria 191 do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) proibiu o uso de áreas degradadas com capoeira para plantio de florestas. De acordo com Roberto Gava, da APRE, a portaria provocou a interrupção do plantio durante sete meses. Agora, os silvicultores estão podendo plantar, sub judice. ?Em termos de plantio florestal, o efeito só será sentido daqui a 20 anos. Quem está sentindo no momento é quem estava programado para o plantio, quem tinha mudas prontas para ir a campo, quem gastou com serviços de topografia?, afirmou. Segundo ele, a interrupção do plantio de árvores causou prejuízos da ordem de R$ 3,5 milhões a R$ 7 milhões. ?É um prejuízo que o setor jamais estava prevendo.?

Durante os sete meses, estima-se que cerca de 10 mil hectares do total de 560 mil hectares tenham deixado de ser plantados. Gava explicou que da semente até a muda são seis meses de espera. A partir do sexto mês, se a muda não for a campo até o nono mês, acaba perdida. Segundo Gava, o retorno financeiro começa a surgir a partir do décimo ano, com desbastes nas florestas. O corte final acontece quando a árvore tem entre 20 e 25 anos. ?Começamos a tirar da floresta as piores e deixamos as melhores, que dão um rendimento maior, para o final?, arrematou. (LS)